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Face andina - fotografias de Martín Chambi

IMS Poços de Caldas

Rua Teresópolis, 90

Poços de Caldas/MG

CEP 37701-058

Visitação

Exposição encerrada.
De 18 de abril a 4 de outubro de 2015.

Horário

De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 

Contato

Tel.: (35) 3722-2776

Apresentação

Curadoria

Mariana Newlands

Na Internet

#FaceAndinaIMS

Imprensa IMS

(11) 3371-4455 comunicacao@ims.com.br

Após passar pelo seu centro cultural em São Paulo o Instituto Moreira Salles apresenta em Poços de Caldas, a exposição Face andina – Fotografias de Martín Chambi no acervo do Instituto Moreira Salles. A mostra traz 88 fotografias e 23 postais do fotógrafo peruano Martín Chambi (1891-1973), apresentando os principais temas de sua documentação do Peru, como retratos de estúdio, paisagens e cenas do ambiente urbano e rural de Cusco, Arequipa e Puno entre as décadas de 1910 e 1960.

Martín Chambi nasceu no povoado de Coasa, província de Carabaya, departamento de Puno, próximo ao lago Titicaca. Começou a fotografar ainda jovem, ao obter uma colocação como assistente de fotógrafo na Mineradora Santo Domingo, na cidade de Cambaya, para onde seus pais se mudaram impulsionados pelo ciclo do ouro na região. Já em Arequipa, em 1908, teve como mestre Max T. Vargas, célebre fotógrafo local, com quem trabalhou até montar seu próprio estúdio, em Sicuani, nove anos depois.

Na ocasião, publicou, de forma pioneira no Peru, seus primeiros cartões-postais. Dedicou-se a registrar a população nativa do país, principalmente as etnias Quéchua e Aymará. Por sua origem indígena, Chambi, buscou uma abordagem diferenciada da forma exótica comum à época. Registrou a humildade da vida andina sem desrespeitá-la, tornando seu trabalho reconhecido mundialmente, tanto pelo caráter etnográfico quanto pelo aspecto artístico. Um dos primeiros a fotografar Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas, descoberta em 1911, Chambi ficou também conhecido como fotojornalista, tendo trabalhado nos jornais locais de Cusco. Teve também fotos publicadas em outros países, como no jornal argentino La Nación e na revista National Geographic.

Chambi entendeu o Peru como uma nação mestiça e multicultural, rica em diversidade. Nas suas frequentes viagens pelos Andes, capturou imagens impressionantes de ruínas incas, bem como a cor local das paisagens desoladas e seus habitantes. Ele conseguiu mesclar a tradição europeia, próxima da pintura, com os retratos em estúdio. Chambi lançou um olhar antropológico e simultaneamente terno sobre o lado mais esquecido do país – aquele habitado pelos povos de origem pré-colombiana. O uso da luz natural e seu sentido de composição engrandeceram as imagens e os personagens retratados.

“A magia de Chambi pulsa em suas fotografias,”, escreveu Mario Vargas Llosa. “Magia que o distingue de todos os fotógrafos com quem os críticos o tentam comparar, desde August Sander a Nadar, passando por Edward Weston, Ansel Adams, Irving Penn ou ainda Abraham Guillén”, completa. Chambi se transformou no fotógrafo símbolo do povo de língua quéchua, dando voz à estranha melancolia do homem andino. “Meu povo fala por meio das minhas fotografias”, escreveu para uma exposição em Santiago e Viña del Mar, no Chile, em 1936.

Muitas de suas fotografias permaneceram desconhecidas até sua morte, em 1973. Algumas delas ainda esperam pesquisas mais aprofundadas para virem à luz. Mas o material conhecido integra parte importante do imaginário sul-americano, como documentos poéticos, misteriosos e incisivos de um mundo desaparecido. Em 1977, quatro anos após sua morte, os filhos, Victor e Julia Chambi e o fotógrafo e antropólogo americano Edward Ranney catalogaram as 14 mil placas de vidro do fotógrafo. A pesquisa resultou em uma grande exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), em 1979. A forte repercussão internacional levou a mostra a circular por museus e universidades americanas, passando pelo Canadá e terminando na Photographer's Gallery, de Londres.

Na década de 1980, foram organizadas importantes mostras sobre sua obra, como a de 1981, que passou por Zurique, Berlim, Madri e Roterdã, e a de 1984, com curadoria de Juan Carlos Belón, apresentada em Veneza. Desde então, várias exposições vêm sendo exibidas em diversos países, inclusive no Brasil, como no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba, em 2010.

Atualmente, os originais de fotógrafo encontram-se no Archivo Fotográfico Martín Chambi, em Cusco, instituição fundada e dirigida por seu neto Teo Allain Chambi, que prima pela preservação e pela difusão da obra do avô. Como ressalta o neto, Martín Chambi é o primeiro fotógrafo de sangue indígena a retratar seu próprio povo com altivez e dignidade somadas a um altíssimo nível técnico, um olhar excepcional e um magistral domínio da luz.

As 88 imagens de Chambi que integram o acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles e compõem esta exposição, foram realizadas entre 1919 e 1948. Provenientes do Archivo Fotográfico Martín Chambi, foram selecionadas e ampliadas a partir dos negativos originais de vidro, nos anos 1980, por Teo Chambi. Outro conjunto de obras também expostas nesta mostra, de 23 fotografias originais de época em formato de cartão-postal, integram um conjunto maior de mais de mil imagens do Peru reunidas no acervo do IMS que contextualizam e reafirmam a importância da obra de Martín Chambi como representação fotográfica maior da face e da cultura andinas no continente sul-americano.


Vídeo

Martín Chambi (1891-1973), de origem camponesa, nasceu no povoado de Coaza, província de Puno, às margens do lago Titicaca, no Peru. Dedicou-se a registrar a população nativa do Peru, principalmente as etnias Quéchua e Aymará, com uma abordagem diferente da forma exótica comum à época. Primeiro a fotografar Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas, descoberta em 1911, Chambi ficou também conhecido como fotojornalista, tendo trabalhado nos jornais locais de Cusco.

Assista ao vídeo em que a curadora Mariana Newlands apresenta o fotógrafo Martín Chambi e algumas das imagens que integram a exposição.

Exposição encerrada.

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