Idioma EN
Contraste

Bem-vindo de volta, irmão Charles

Welcome Home Brother Charles

Direção

Jamaa Fanaka

Informações

EUA
1975. 91min. 18 anos

Formato de exibição

DCP

Debate

IMS Rio: 15/3/19, às 19h15
IMS Paulista: 21/2/19, às 21h

O contexto da realização de Bem-vindo de volta, irmão Charles não poderia ser mais controverso. Uma das maneiras de compreender o repertório da L.A. Rebellion é situá-lo como um contraponto crítico às imagens sedutoras de violência e erotismo da contemporânea produção da Blaxploitation, esse polêmico conjunto de filmes dos anos 1970 em que um intenso protagonismo negro no cinema comercial estadunidense convivia, segundo seus críticos, com a veiculação de clichês nocivos sobre a negritude. Em consonância com as posições do movimento negro da época, os estudantes afro-americanos da UCLA teciam fortes críticas a essa produção, buscando afastar-se o máximo possível de sua estética. O próprio Jamaa Fanaka realizara na escola, em 1972, o curta-metragem A Day in the Life of Willie Faust, or Death on the Installment Plan, que joga com os códigos da Blaxploitation, mas oferece uma visão sombria e pessimista sobre o destino de um jovem viciado em heroína (interpretado pelo próprio Fanaka).

Nesse contexto, é possível imaginar a surpresa de todos quando Fanaka propôs, como um de seus projetos de graduação, realizar um longa-metragem contando a história de um ex-presidiário que decide se rebelar contra o sistema racista que o encarcerou injustamente, cometendo uma série de estupros e assassinatos em uma vingança brutal contra seus algozes brancos (com a ajuda de insólitos superpoderes adquiridos como resultado dos experimentos científicos aos quais fora submetido na prisão). Esse enredo tão próximo do universo da Blaxploitation seria filmado, porém, em um contexto diametralmente oposto ao das produções comerciais: com um orçamento formado por bolsas de mecenato cultural e economias de seus pais, a produção se arrastaria por 17 meses, com filmagens limitadas aos fins de semana, para permitir o acesso irrestrito aos equipamentos da universidade (com o colega Charles Burnett como operador de câmera).

O resultado econômico não poderia ser mais auspicioso: o filme conseguiria um contrato de distribuição, arrecadaria US$ 500.000 nas salas de cinema e permitiria a Fanaka realizar outros dois longas-metragens ainda como estudante: Emma Mae (1976) e Penitentiary (1979), tornando-se o único diretor de sua geração a ter obtido algum sucesso comercial naquele momento. O resultado estético não poderia ser mais complexo e desafiador: equilibrando-se entre o humor nonsense e a crítica social radical, entre a adesão e o distanciamento frente aos códigos da Blaxploitation, o filme trabalha uma série de estereótipos raciais em múltiplas camadas de interpretação. 


Debate

IMS Rio
15 de março, às 19h15
A exibição será seguida por fala de Luis Fernando Moura

IMS Paulista
21 de fevereiro, às 21h
A exibição será seguida por fala de Heitor Augusto

Luis Fernando Moura é pesquisador e programador de cinema. Graduado pela UFPE, é mestre e doutorando em Comunicação Social pela UFMG, onde integra o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência. Foi repórter e crítico nas redações dos jornais Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco, e escreveu sobre cinema, literatura e cultura para as revistas Continente, Monet, Gol, ArtFliporto, La Fuga, Tercer Film e Língua Portuguesa, para o Suplemento Pernambuco e para o portal Estadão, além de catálogos de mostras e outras publicações. Co-editou o dossiê "O cinema e o animal" da revista Devires. Desenvolveu projetos junto às produtoras Símio Filmes e Desvia. Foi um dos coordenadores do Cineclube Dissenso, no Recife. Foi um dos curadores das mostras Brasil Distópico, no Rio de Janeiro, e L.A. Rebellion, no Recife, e integrou comissões de curadoria no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (2017-2018) e no forumdoc.bh (2018). É curador e, desde 2015, coordenador de programação do Janela Internacional de Cinema do Recife.

Heitor Augusto é crítico de cinema, curador, professor e tradutor. Curador da mostra Cinema Negro: Capítulos de uma História Fragmentada, realizada durante o Festival de Curtas de Belo Horizonte em 2018, e um dos curadores do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro nos anos de 2017 e 2018. Tem textos publicados em revistas de crítica, catálogos de mostras e coletâneas. Ministra oficinas de crítica e de curadoria sob as perspectivas dos subalternizados, além de cursos livres de história do cinema, com ênfase em períodos, autores e recortes pouco investigados. Mantém o site Urso de Lata, onde exercita uma escrita que habita as intersecções entre estética, raça e política.


Programação

Não há sessões previstas para esse filme no momento.


Ingressos

Os ingressos para as sessões de cinema do IMS são vendidos nas bilheterias dos centros culturais e no site ingresso.com. 
 
As bilheterias vendem ingressos apenas para as sessões do dia. No site, as vendas são semanais: a cada quinta-feira são liberados ingressos para as sessões que acontecem até a quarta-feira seguinte.
 
IMS Paulista
Ingresso: R$8 (inteira) e R$4 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 10h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.
IMS Rio
Ingresso: R$8 (inteira) e R$4 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 11h até o início da última sessão de cinema do dia, na recepção.

Mais cinema

Mais IMS