Foco Akinola Davies Jr.
IMS Paulista e IMS Poços, maio de 2026
Por ocasião da estreia de A sombra do meu pai, de Akiola Davies Jr., o Cinema do IMS apresenta dois curtas-metragens do cineasta.

My Father’s Shadow
Akinola Davies Jr. | Nigéria, Reino Unido | 2025, 94', DCP (Filmes da Mostra) | Classificação indicativa: 12 anos
Um dia na metrópole nigeriana de Lagos, durante a crise eleitoral de 1993. A história acompanha um pai, afastado dos dois filhos pequenos, durante uma jornada por essa enorme cidade enquanto a agitação política ameaça sua volta para casa.
O primeiro longa-metragem de Akinola Davies Jr., que recebeu a menção honrosa do júri da Caméra d’Or no Festival de Cannes, tem uma relação direta com a vida do cineasta. “Acho que, no começo, eu teria dito que há uma grande diferença entre uma coisa e outra, mas quanto mais eu vejo o filme e converso com meu irmão, mais difícil fica saber o que é ficção e o que não é”, declara Davies em entrevista a Bruno Carmelo para o portal Meio Amargo. “O fato é que a gente perdeu nosso pai quando éramos bem novos. Meu pai morreu quando eu tinha 1 ano e oito meses, e meu irmão devia ter uns 3 anos. Mas o filme se passa em 12 de junho de 1993, e, nessa época, no filme, os meninos têm 8 e 12 anos. Então as coisas começam a se misturar. Muitas das histórias vêm de coisas que nos contaram sobre o nosso pai – o que nossa mãe dizia, o que outras pessoas diziam –, e como essas histórias mudaram com o tempo.
Os eventos históricos são baseados no que realmente aconteceu naquele dia. Bonny Camp é um lugar real. Os massacres aconteceram em momentos diferentes, mas a gente juntou tudo para colocar no filme. Então o personagem paterno é uma versão ficcional do nosso pai, mas decorre das histórias que escutamos sobre ele. É bem difícil separar o que é ficção e o que não é. Acho que a diferença mais óbvia é que, por exemplo, no filme, a gente muda a idade dos personagens, e também, no filme, a família é de classe trabalhadora, enquanto a nossa era de classe média.”
“Bonny Camp sempre foi um lugar onde pessoas ‘problemáticas’ sumiam. Era uma base policial, e depois virou uma base militar. Uma das razões pelas quais o governo militar mudou a capital de Lagos para Abuja foi justamente porque, quando havia protestos, as pessoas iam para Bonny Camp. Fela Kuti, por exemplo – um dos nossos músicos mais famosos – levou o caixão da mãe dele até Bonny Camp para entregar aos militares, depois que ela foi jogada do telhado e morreu. Então Bonny Camp virou um símbolo no imaginário nigeriano, um lugar onde militares e policiais faziam opositores desaparecerem. Como a gente queria contar essa história para jovens nigerianos – e também para quem não conhece a história da Nigéria –, quisemos homenagear esses lugares, onde pessoas lutaram contra o autoritarismo e perderam a vida.”
Na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, A sombra do meu pai recebeu o Prêmios da Crítica de Melhor Filme Internacional e o Prêmio Brada de Melhor Direção de Arte.
Entrevista do diretor Akinola Davies Jr. ao portal Meio Amargo (na íntegra) ►
Lizard
Akinola Davies Jr. | Nigéria, Reino Unido | 2020, 18', DCP | Classificação indicativa: 14 anos
Em Lagos, uma menina de 8 anos, com a capacidade de pressentir o perigo, é expulsa de uma aula da escola dominical. Fora dos muros da igreja, ela encontra um mundo quase animalesco de abandono e hipocrisia.
“Eu queria contar uma história pessoal, isto é, baseado em uma história real” – comenta Akinola Davies Jr. em entrevista a James Maitre para o portal Directors Note. “Tudo o que acontece em Lagarto aconteceu comigo quando eu tinha 8 anos, tirando ver um lagarto gigante, claro. Nós fomos assaltados à mão armada voltando da igreja, eu, meu irmão e meus primos, quando éramos bem novos. A lembrança disso sempre ficou na minha cabeça. Foi algo sobre o qual nunca falamos. Então, acho que, quando percebi o quanto aquilo podia ser um choque, comecei a buscar essas memórias e imediatamente escrevi Lagarto.”
“A principal prioridade para mim era criar muito contraste entre luz e escuridão, alto e baixo, e trabalhar a modelagem da luz. Esse foi meio que o meu foco principal nas conversas com o diretor de fotografia, Shabier Kirchner. Acho que, em termos da linguagem do filme, é realmente uma interpretação da minha história. Eu queria explorar esse contraste entre claro e escuro e como as coisas se dissipam rapidamente, além de captar a Nigéria em película e fazer com que ela parecesse úmida e suada, do jeito que é.”
O filme recebeu o Grande Prêmio do Júri de Curta-Metragem na edição de 2021 do Festival de Sundance.
Entrevista do diretor Akinola Davies Jr. ao portal Directors Note (na íntegra, em inglês) ►
Akinola Davies Jr. | Reino Unido | 2021, 12', DCP | Classificação indicativa: 14 anos
Dois irmãos desacompanhados embarcam em uma jornada rumo a um novo assentamento na lua Titã. Suas interações refletem a ingenuidade e o medo que esse enorme momento representa para cada um deles, em meio a um grupo de migrantes em escala industrial.
IMS Paulista
13/5/2026, quarta
19h40 - Lagarto + A sombra do meu pai
23/5/2026, sábado
19h50 - X Us + A sombra do meu pai*
30/5/2026, sábado
17h40 - X Us + Lagarto
IMS Poços
17/5/2026, domingo
18h - Lagarto + A sombra do meu pai
23/5/2026, sábado
18h30 - X Us + A sombra do meu pai
*Virada cultural: sessão gratuita
Vendas
Os ingressos do cinema podem ser adquiridos online ou na bilheteria do centro cultural, mais informações abaixo.
Meia-entrada
Com apresentação de documentos comprobatórios para professores da rede pública, estudantes, crianças de 3 a 12 anos, pessoas com deficiência, portadores de Identidade Jovem e maiores de 60 anos.
Cliente Itaú
Desconto de 50% para o titular ao comprar o ingresso com o cartão Itaú (crédito ou débito). Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala.
Devolução de ingressos
Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site.
IMS Paulista
Ingressos:
Dia 30/5 : R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Dia 23/5 (Virada cultural): Entrada gratuita. Sujeita à lotação da sala. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de 1 senha por pessoa.
Demais sessões: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 12h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.
Os ingressos para as sessões são vendidos na recepção do IMS Paulista e pelo site ingresso.com. A venda é mensal e os ingressos são liberados no primeiro dia de cada mês.
Não é permitido o consumo de bebidas e alimentos na sala de cinema.
IMS Poços
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Bilheteria: de terça a sexta, das 13h às 19h. Sábados e domingos, das 9h às 19h, na recepção do IMS Poços.
Os ingressos para as sessões são vendidos na recepção do IMS Poços e pelo site ingresso.com. A venda é mensal e os ingressos são liberados no primeiro dia de cada mês. Os preços variam de acordo com o filme ou a mostra.
Não é permitido o consumo de bebidas e alimentos na sala de cinema.
