O Cinema do IMS em São Paulo apresenta em agosto e setembro uma seleção especial da obra de Larisa Shepitko, cineasta de origem ucraniana-soviética. Esta mostra é parte do projeto Mulheres Pioneiras do Cinema.
Shepitko estudou no VGIK, primeira e mais antiga escola de cinema do mundo, na Rússia, onde foi aluna de Alexander Dovzhenko. Desde seus primeiros filmes deixou marcas incontornáveis no cinema soviético do pós-guerra, com abordagens críticas do conflito armado, de estereótipos de gênero e questões sociais, chegando a enfrentar problemas com a censura estatal.
Asas, seu segundo longa-metragem, trata de uma ex-pilota de guerra lutando para se readaptar à vida civil. O filme, hoje considerado uma de suas obras mais importantes, gerou controvérsia na URSS por sua leitura pouco convencional do heroísmo bélico e acabou tendo a circulação restrita pouco depois da estreia. Com A ascensão, que acompanha dois soldados soviéticos capturados por tropas alemãs na Bielorrússia ocupada, Shepitko ganharia reconhecimento mundial. O filme recebeu o Urso de Ouro, principal prêmio do Festival de Berlim, em 1977.
Os dois filmes serão exibidos em cópias restauradas nesta mostra, que também apresenta outras obras da diretora além de dois filmes do cineasta Elem Klimov, seu marido. São elas Larisa, curta-metragem em homenagem a Shepitko, e A despedida. Este último, uma adaptação do romance Adeus a Matyora, de Valentin Rasputin, era originalmente um projeto de Shepitko que seria levado a cabo por Klimov após sua morte. Shepitko morreu aos 41 anos, em um acidente de carro durante a pré-produção do filme.

Krylya
Larisa Shepitko | URSS | 1966, 85’, DCP (Mosfilm/CPC-UMES Filmes), restauração 4K | Classificação indicativa: 14 anos
Nadezhda Petrukhina, ex-piloto de caça na Segunda Guerra Mundial, luta para se adaptar à nova vida em tempos de paz. Agora diretora de uma escola técnica, Petrukhina tem que lidar com as questões comportamentais dos jovens estudantes e a desconexão com a sua filha. Nesse processo, a vontade de voltar a voar sempre vem à tona.
Controverso à época por apontar fissuras no imaginário dos heróis de guerra, Asas foi retirado de circulação pouco após suas primeiras exibições. Hoje é considerado um dos pontos altos do cinema soviético dos anos 1960. O filme também foi amplamente elogiado pela interpretação de Maya Bulgakova, na forma como capta a melancolia da protagonista.
Em entrevista à Bavarian Television em 1978, veiculada na TV Russa em 1999 e intitulada “Uma conversa com Larisa”, Shepitko aborda o conflito de sua personagem: “ela era incapaz de viver sua vida sem seguir sua vocação, sem usar seu dom. E como uma personalidade forte, ela consegue sentir o quanto sua existência é antinatural. Mas essa percepção veio tarde demais. A tensão dramática desse filme está justamente no fato de que ela descobre essa verdade num momento crítico da vida dela. E há uma espécie de graça nisso. Talvez seja tarde. Mas ela chegou a descobrir. É por isso que ainda é uma graça. Porque existem milhões de pessoas que descobrem essa verdade essencial e dramática sobre si mesmas – que não viveram a própria vida –, mas descobrem tarde demais. E milhões de pessoas nunca sequer chegam perto dessa percepção. Elas morrem sem terem vivido a própria vida, sem fazer ideia para que vieram ao mundo e por que viveram suas vidas”.
Programação
IMS Paulista
6/8, quinta, 19h30
22/8, sábado, 17h
Classificação indicativa da sessão: 14 anos
Larisa
Larisa
Elem Klimov | URSS | 1980, 21’, DCP (Mosfilm/CPC-UMES Filmes) | Classificação indicativa: 14 anos
Tributo a Larisa Shepitko, que teve sua vida abruptamente interrompida aos 41 anos, em um desastre de automóvel que também matou quatro membros de sua equipe técnica, durante a produção de um filme. Dirigido por seu marido e também cineasta Elem Klimov, o curta apresenta trechos de todos os filmes da diretora, além de comentários dela em entrevistas.
A pátria da eletricidade
Rodina Elektrichestva
Larisa Shepitko | URSS | 1967, 38’, DCP (Mosfilm/CPC-UMES Filmes) | Classificação indicativa: 14 anos
Região do Volga, 1921. Quando a seca e a fome assolam um pequeno vilarejo, um jovem engenheiro tenta transformar uma motocicleta em uma bomba d'água para ajudar a população local.
A pátria da eletricidade é um média-metragem de cerca de 40 minutos, adaptado de um conto de Andrei Platonov. Foi feito como um dos episódios de Nachalo Nevedomogo Veka (O início de uma era desconhecida), um filme em episódios concebido para comemorar os 50 anos da Revolução de Outubro que reunia diretores recém-formados no VGIK – entre eles Andrei Smirnov e Genrikh Gabai. Companheiro de Shepitko, Elem Klimov chegou a ser considerado como um dos diretores, mas seu segmento não foi aprovado para produção.
Os segmentos de Shepitko e Smirnov foram barrados pela censura antes mesmo de chegar ao público e passariam 20 anos engavetados. Apenas o episódio de Gabai – hoje ironicamente dado como perdido – foi liberado para circulação. Foi com a ajuda de Elem Klimov, então viúvo de Shepitko e Primeiro Secretário da União dos Cineastas Soviéticos, que o filme finalmente estreou em 1987, no Festival de Moscou.
Programação
IMS Paulista
15/8, sábado, 19h
27/8, quinta, 20h
Vendas
Os ingressos do cinema podem ser adquiridos online ou na bilheteria do centro cultural, mais informações abaixo.
Meia-entrada
Com apresentação de documentos comprobatórios para professores da rede pública, estudantes, crianças de 3 a 12 anos, pessoas com deficiência, portadores de Identidade Jovem e maiores de 60 anos.
Cliente Itaú
Desconto de 50% para o titular ao comprar o ingresso com o cartão Itaú (crédito ou débito). Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala.
Devolução de ingressos
Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site.
IMS Paulista
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 12h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.
Os ingressos para as sessões são vendidos na recepção do IMS Paulista e pelo site ingresso.com. A venda é mensal e os ingressos são liberados no primeiro dia de cada mês.
