Notas sobre Limercy
Em busca de olhares peculiares para a exposição Retratos de Limercy Forlin: Um recorte na história de Poços de Caldas, a equipe de Educação do IMS produziu quatro vídeos. Teodoro Dias, o curador da mostra; o professor, pesquisador e antropólogo Stelio Marras; a professora e ativista Maria José de Souza (Tita) e o fotógrafo e jornalista Leo Felipe falam sobre suas relações com a exposição e traçam perspectivas sobre o acervo Limercy Forlin.
Teodoro discorre sobre as especificidades do acervo e suas escolhas curatoriais, além das perspectivas esperadas como desdobramento da exposição nos visitantes da cidade.
Nascido em Poços de Caldas, Teodoro atua como curador de diversas exposições de artistas e fotógrafos regionais para o IMS, buscando estabelecer maior vínculo entre o Instituto Moreira Salles e a classe artística da região, além de coordenar cursos, palestras e eventos musicais. Em sua ligação com as Artes Plásticas, participa desde 1995 de diversas mostras.
Stelio Marras comenta sobre as perspectivas antropológicas e o contexto de atuação de Limercy Forlin em Poços de Caldas.
Unindo sua aproximação ao acervo de Limercy Forlin à experiência na cidade e os conhecimentos desenvolvidos em sua pesquisa de mestrado intitulada "A propósito de águas virtuosas - formação e ocorrências de uma estação balneária no Brasil", Marras nos aponta, de maneira crítica e sensível, marcos importantes para a compreensão dos processos de chegada e estabelecimento do estúdio do fotógrafo Limercy Forlin na cidade de Poços de Caldas.
Stelio Marras é bacharel em ciências sociais, mestre e doutor em antropologia pela FFLCH/USP. Poços-caldense, é um dos filhos do pintor italiano Eduardo Luciano Marras, que nos anos 1940 escolheu Poços de Caldas para fugir dos horrores da guerra e casou-se com Ruth São Juliano. Hoje é professor de antropologia do IEB/USP.
Maria José de Souza, mais conhecida como Tita, se debruçou sobre um conjunto de fotos de destaque na exposição Retratos de Limercy Forlin: Um recorte na história de Poços de Caldas para discorrer sobre o contexto sociocultural encontrado no período de recorte da exposição, que vai de 1958 a 1982, refletindo sobre os usos sociais da fotografia.
Com um olhar de vivência do contexto local aliado às suas pesquisas, ela traz questões sobre: moda, comportamento, cortes de cabelo, camadas sociais, questões geracionais, entre outras, traçando correlações a partir da estética de uma época. Tita aborda também a questão da inserção das mulheres no mercado de trabalho nos anos 1970 e cita sobre serviços menos conhecidos oferecidos no estúdio fotográfico de Limercy, tais como colorização de fotografias.
Nasceu em Poços de Caldas em 1939, onde licenciou Filosofia, História e Pedagogia. Mestra em Ciências Sociais pela UFBA, publicou: A Remissão de Lúcifer, com o professor Ronaldo de Salles Senna e Reinado, Poder no Sul das Minas Gerais e O Natal de Amanhã. Participou do Conselho Estadual de Participação e Integração da Comunidade Negra de Minas Gerais.
Leo Felipe aponta semelhanças e diferenças na sociedade Poços-caldense, bem como entre a sua produção e a de Limercy Forlin, pontuando aspectos da prática fotográfica atual e de outrora. Ele ainda comenta sobre seu trabalho autoral, Toda Alma é Raiz, dedicado a registrar em retratos personalidades negras de Poços de Caldas.
Leo Felipe é jornalista e autor do livro fotográfico Africanize. A obra fala sobre como as mídias tradicionais influenciaram na marginalização da cultura africana, além de abordar e destacar os sentidos e significados de penteados e adornos afro-brasileiros. Hoje, com o projeto Toda Alma é Raiz, registra a beleza e o cotidiano de pessoas negras através da fotografia documental.
