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A descoberta de um mundo

30 de setembro de 2014

Martín Chambi (1891-1973), de origem camponesa, nasceu no povoado de Coaza, província de Puno, às margens do lago Titicaca, no Peru. Iniciou-se na fotografia ainda jovem, ao obter uma colocação como assistente de fotógrafo na Mineradora Santo Domingo, na cidade de Cambaya, para onde seus pais se mudaram impulsionados pelo ciclo do ouro na região.

 

Autorretrato no alto de Carabaya (1928)

 

Já em Arequipa, em 1908, teve como mestre Max T. Vargas, célebre fotógrafo local, com quem trabalhou até montar seu próprio estúdio em Sicuani, nove anos depois. Na ocasião, publicou de forma pioneira no Peru seus primeiros cartões postais.

 

Ezequiel Arce e sua colheita de batatas (1934)

 

Também de origem indígena, Chambi se dedicou a registrar a população nativa do Peru, principalmente as etnias Quéchua e Aymará, com uma abordagem diferente da forma exótica comum à época. Registrou a humildade da vida andina sem desrespeitá-la, tornando seu trabalho reconhecido mundialmente tanto pelo caráter etnográfico quanto pelo aspecto artístico.

Primeiro a fotografar Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas, descoberta em 1911, Chambi ficou também conhecido como fotojornalista, tendo trabalhado nos jornais locais de Cusco. Teve fotos publicadas em outros países, como no jornal argentino La Nación e na revista National Geographic.

 

Vista parcial de Wiñay Wayna, Machu Picchu (1941)

 

Em 1977, quatro anos após sua morte, os filhos, Victor e Julia Chambi, e o fotógrafo e antropólogo americano Edward Ranney catalogaram as 14 mil placas de vidro do fotógrafo. A pesquisa resultou em uma grande exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), em 1979. A repercussão internacional levou essa mostra a circular por museus e universidades americanas, passando pelo Canadá e terminando na Photographer’s Gallery, de Londres.

Na década de 1980 foram organizadas importantes mostras sobre a obra de Chambi, como a de 1981, que passou por Zurique, Berlim, Madri e Roterdã, e a de 1984, com curadoria de Juan Carlos Belón, apresentada em Veneza. Desde então várias exposições vêm sendo exibidas em diversos países, inclusive no Brasil, como no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba, em 2010.

 

Festa de carnaval (1926)

 

Os originais de Chambi encontram-se no Archivo Fotográfico Martín Chambi, em Cusco, instituição fundada e dirigida por seu neto Teo Allain Chambi, que prima pela preservação e pela difusão da obra do avô. Em suas palavras, Martín Chambi é o primeiro fotógrafo de sangue indígena a retratar seu próprio povo com altivez e dignidade somadas a um altíssimo nível técnico, um olhar excepcional e um magistral domínio da luz.

As imagens que agora podem ser vistas no site do IMS, fotografadas entre 1919 e 1948, são provenientes dessa fundação e foram selecionadas e ampliadas a partir de seus negativos originais de vidro, nos anos 1980, por Teo Chambi.

 

Dois gigantes cusquenhos (1925)

O IMS organizou a exposição Face andina, sobre a obra de Martín Chambi, em seus centros culturais de São Paulo e Poços de Caldas entre 2014 e 2015.

O texto acima foi originalmente publicado em 2013 no Blog do IMS.

 

Mais

Acervo de Martín Chambi no IMS
Retratos coletivos de Chambi
O mundo revelado por um extraordinário fotógrafo indígena, por Walter Salles
Exposição Face andina: fotografias de Martín Chambi – IMS SP | IMS Poços de Caldas

 

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