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O acervo de J. Carlos

07 de abril de 2015

Foi em 1995 que o desenhista Cássio Loredano começou a visitar a casa de Eduardo Augusto de Brito e Cunha, filho do cartunista J. Carlos (1884-1950), em Petrópolis, na região serrana do Rio. Loredano conseguiu que a Xerox lhe emprestasse uma máquina copiadora, e com ela foi reproduzindo – e salvando da eventual deterioração – desenhos originais e edições de revistas em que o artista colaborou.

Vinte anos depois, esse material chega ao IMS, onde será cuidado até 2025, segundo prevê o comodato acertando entre os herdeiros de J. Carlos e o instituto. De alguma forma, todo o esforço de Loredano chega agora a um bom termo.

“Termo, não. É um ponto de partida”, diz o consultor de iconografia do IMS, que também participa da organização do acervo de Millôr Fernandes.

 

Desenho para a capa da revista “Careta”, edição de 11/4/1942. J. Carlos/Acervo IMS

 

Ele acredita que, com o material catalogado e digitalizado, maior interesse haverá pelo trabalho de um dos maiores artistas gráficos brasileiros. É possível que J. Carlos tenha feito em torno de 100 mil desenhos, marcando profundamente a imprensa na primeira metade do século XX. Entre as publicações para as quais trabalhou estão “Careta”, “Tico-Tico”, “Fon-Fon”, “O Malho” e “Para Todos”.

“Existe um livro pronto, só aguardando editora, que é sobre o J. Carlos publicitário, com os reclames que ele fazia. E estamos devendo um ‘J. Carlos para crianças’, porque ele fez muitos desenhos nessa área, como os do ‘Tico-Tico’”, ressalta Loredano, cuja pesquisa já resultou em sete livros, entre eles “J. Carlos contra a guerra”, “Carnaval de J. Carlos” e “O bonde e a linha”.

O acervo que está agora no IMS foi constituído graças à incansável dedicação de Eduardo Augusto. Além de 990 desenhos originais, há um grande conjunto de revistas reunidas em volumes encadernados, todos em bom estado de conservação. Também existem dez álbuns com materiais diversos relacionados a J. Carlos, como notícias de jornal, convites, anúncios e programas de exposições.

 

Capa da revista “Careta”, edição de 22/4/1939. J. Carlos/Acervo IMS

 

Com a morte de Eduardo Augusto, seus filhos decidiram transferir o acervo de J. Carlos para uma instituição que pudesse tratá-lo e divulgá-lo. Publicações e exposições estão nos planos.

“No momento, o material está sendo higienizado. A previsão é que, no próximo ano, iniciemos a pesquisa e a catalogação de todas as obras. Nessa etapa, o material já estará disponível para pesquisa presencial. Depois disso o material será digitalizado e disponibilizado na internet”, explica Julia Kovensky, coordenadora de iconografia do IMS.

 

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