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Painéis de Porto + Do céu ao Rio + Jaime

Parte de Retrospectiva Margarida Cordeiro & António Reis

Painéis do Porto

António Reis | Portugal | 1963, 16', DCP 

Patrocinado pela Câmara Municipal do Porto, o curta é um ensaio visual sobre a cidade, reunindo sequências filmadas entre a Ribeira e a Baixa, comentadas pela leitura de poemas de Vasco de Lima Couto, Egito Gonçalves, Rosália de Castro, Pedro Homem de Mello, Fernando Pessoa e do próprio António Reis, com música de Francisco Rebelo.


Do céu ao rio

César Guerra Leal, António Reis | Portugal | 1964, 17’, DCP

Este curta-metragem, provavelmente uma encomenda da Hidroelétrica do Cávado, mostra vários aspectos da construção da rede de barragens daquela bacia hidrográfica, com um comentário lido pelo jornalista Fernando Pessa.

Em texto disponível no pressbook da Cinemateca Portuguesa sobre os filmes de Cordeiro & Reis, Tiago Baptista comenta que “o interesse por esses primeiros curtas-metragens de Reis foi muito cedo assinalado pelo cineasta Fernando Lopes, que os indicou, aliás, como uma das razões para arriscar a produção de Jaime no Centro Português de Cinema (CPC): ‘Tinha visto uma ou duas coisas que o Reis tinha feito, uns pequenos documentários em que ele tinha participado. Tinha ficado muito impressionado com as imagens no meio daqueles documentários turísticos que não eram nada imagens turísticas, mas eram imagens que tinham uma visão transfiguradora da realidade.’”

“No entanto”, completa Baptista, “o desenvolvimento desta impressão ficou suspenso devido à inexistência até muito recentemente de cópias projetáveis destes dois filmes.”


Jaime

António Reis [e Margarida Cordeiro] | Portugal | 1974, 35’, DCP

Primeiro filme de António Reis em colaboração não creditada com a psiquiatra Margarida Cordeiro. Trata-se de uma homenagem à emaranhada figura de Jaime Fernandes, um interno do manicômio de Lisboa que, ao morrer, deixou centenas de desenhos e textos comoventes, produzidos nos seus últimos três anos de reclusão.

“De resto, se uma preocupação tive, e poderia ser um princípio moral, foi indeterminar e destruir a fronteira da normalidade e da anormalidade, sem parti-pris, mas pela razão simples de me estar no sangue e na inteligência, até porque estou convencido que grande parte dos anormais estão cá fora e muitos normais hospitalizados. Classifico mesmo essa divisão, em extremo, como racista. É um dos grandes problemas do nosso tempo, em qualquer parte do mundo, e tentar destruir esse preconceito era, para mim, muito importante. Devíamos, por certo, pensar profundamente no lugar social privilegiado que os ditos doentes mentais ocupavam nas comunidades estudadas pelos antropólogos. Trabalhei entre eles com grande alegria. Foram admiráveis em tudo o que lhes pedi e em tudo o que ajudaram.” (António Reis)

“A construção do filme entra e sai dos desenhos. Quer dizer: não há desenhos de um lado e vida real do outro. Entra-se e sai-se livremente. Faz tudo parte de uma unidade que é o filme. Na realização há uma estilização das figuras de Jaime e, nas figuras de Jaime, pela estilização que se operou, o real hospitalar acaba também por ser refletido.” (AR)

“O compromisso de a câmara ter sido usada à mão, e representando, em certa medida, o desmunido do olho humano, pareceu-nos a maneira mais certa de chegar a uma certa crueza de observação. A própria perspetiva nos feria, a profundidade de campo, tudo o que fosse fazer passagens ou modelações. Há ali uma espécie de trabalho em madeira, no plano, que o reduz à essencialidade.” (AR)

Sinopse elaborada pelo programador do ciclo, Manuel Asin, originalmente em espanhol. Parte dos depoimentos está em sua versão original, em português lusitano.


Programação

Não há sessões previstas para esse filme no momento.


Ingressos

Os ingressos para as sessões de cinema do IMS são vendidos nas bilheterias dos centros culturais e no site ingresso.com.

As bilheterias vendem ingressos apenas para as sessões do dia. No site, as vendas são semanais: a cada quinta-feira são liberados ingressos para as sessões que acontecem até a quarta-feira seguinte.

IMS Paulista
Ingresso: R$8 (inteira) e R$4 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 10h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.

IMS Rio
Ingresso: R$8 (inteira) e R$4 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 11h até o início da última sessão de cinema do dia, na recepção.


A retrospectiva

Em outubro, o cinema do IMS apresentará um conjunto de filmes dos realizadores portugueses Margarida Cordeiro e António Reis. Produzidos entre o final dos anos 1960 e o final dos anos 1980, esta obra abarca o fim do regime salazarista e o processo de abertura democrática de Portugal. Com filmes inéditos no Brasil (salvo Trás-os-Montes e Mudar de vida, de Paulo Rocha, no qual António Reis foi responsável pelos diálogos), a retrospectiva apresenta obras que se caracterizam por uma observação atenta no retrato de personagens e das paisagens em que habitam, nos quais simplicidade e humildade não são meros exotismos. Este rigor ético e estético foi fundamental na formação de cineastas contemporâneos, como Pedro Costa e João Pedro Rodrigues, alguns dos alunos de António Reis.

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