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Sessão Mutual Films

Nascimento e origem: Os enganados + Diálogo árabe israelense

Três refugiados palestinos, no ano de 1958, tentam atravessar o deserto do Iraque para o Kuwait em busca de melhores condições de vida. Assim segue a ação principal do filme sírio Os enganados (1972), um clássico do cinema árabe que foi filmado pelo cineasta egípcio Tewfik Saleh (1926-2013) a partir do curto romance Homens ao sol (1963), do emblemático escritor palestino Ghassan Kanafani. A Sessão Mutual Films de maio coloca esta obra ao lado do último filme realizado pelo cineasta norte-americano Lionel Rogosin (1924-2000), também do início da década de 1970. O documentário Diálogo árabe israelense (1974) apresenta uma conversa em Nova York entre dois amigos e ativistas sobre as histórias e os futuros de seus povos. O jornalista e dramaturgo progressista israelense Amos Kenan argumenta a favor da necessidade existencial de um Estado judeu, enquanto o poeta palestino Rashed Hussein indaga sobre a possibilidade de direitos iguais em um Estado único onde israelenses e palestinos possam conviver em paz. Os dois filmes da sessão foram restaurados em anos recentes pela Cinemateca de Bolonha, e suas cópias restauradas serão apresentadas no Brasil pela primeira vez. As exibições da sessão em Poços de Caldas e São Paulo contarão com debates com os curadores do evento e, em São Paulo, com a professora e pesquisadora Arlene Clemesha.

A curadoria e produção da Sessão Mutual Films são de Aaron Cutler e Mariana Shellard.

Blog do cinema:
Nascimento e origem: Os enganados + Diálogo árabe israelense - por Aaron Cutler e Mariana Shellard ►


Sessões especiais

IMS Paulista
Os enganados
15/5/2024, quarta, 19h10
Seguida de debate com Arlene Clemesha, Aaron Cutler e Mariana Shellard

IMS Poços
Diálogo árabe israelense
19/5/2024, domingo, 18h30
Sessão seguida de conversa com Aaron Cutler e Mariana Shellard

Informações sobre todas as exibições ►

Cenas de Os enganados, de Tewfik Saleh, e Diálogo árabe israelense, de Lionel Rogosin

Filmes


Os enganados

Al-makhdu'un
Tewfik Saleh | Síria | 1972, 107’, DCP, cópia restaurada (Cinemateca de Bolonha - World Cinema Project) | Classificação indicativa: 14 anos

Abu Quais (interpretado por Mohamed Kheir-Halouani), um camponês palestino de meia-idade que vivia da plantação de azeitonas, perde suas terras após a Primeira Guerra Árabe-Israelense em 1948 e sobrevive com sua família em um acampamento para refugiados. Asaad (Bassam Lutfi), um desiludido ativista político procurado pela polícia, desiste da luta armada em prol do dinheiro. Marwan (Salih Khalqi), com apenas 16 anos, deixa a escola em busca de sustento para sua mãe e seus irmãos mais novos, após o pai ter abandonado a família. O caminho dos três conterrâneos em fuga se cruza na cidade portuária de Basra, no Iraque, na busca de contrabandistas para ajudá-los a fazer a travessia pelo deserto para o rico Kuwait, onde há ofertas de trabalho e a promessa de uma vida melhor. Eles então se deparam com Aboul Kheizaran (Abdul-Rahman Al Rashi), um ex-soldado palestino que lutou na guerra de 1948 e foi violentamente ferido em um bombardeio, tendo seu membro sexual amputado. Com o corpo e a moral aleijados, Kheizaran tornou-se um mercenário que ganha a vida dirigindo um caminhão de água e eventualmente transportando imigrantes ilegais por um preço inferior ao dos outros contrabandistas. Dentro de um incandescente tanque de água vazio, os três homens precisam se esconder para cruzar dois postos alfandegários, durante um período que seu guia promete ser de apenas alguns minutos, enquanto ele pega os carimbos para a travessia. Mas será que sua promessa será cumprida?

O filme Os enganados baseia-se no livro Homens ao sol (1963), o curto romance de estreia do importante escritor e ativista político palestino Ghassan Kanafani (1936-1972), que vislumbrou sua história como uma alegoria para o sofrimento e a autoexploração constante do seu povo. Ele colaborou no roteiro com o grande cineasta egípcio Tewfik Saleh, que fez do filme seu sexto longa-metragem, e o primeiro realizado fora de seu país natal, em uma produção financiada pela Organização Nacional de Cinema da Síria (NFO). Saleh manteve fidelidade ao livro, inclusive em brilhantes sequências de montagem que expressam o movimento fluido entre o passado e o presente dos personagens conforme eles cruzam o deserto (fotografado de forma espetacular pelo cinegrafista sírio Bahgat Heidar). O cineasta ainda ampliou a crítica de Kanafani à negligência do mundo árabe sobre o destino dos palestinos, um gesto que adiou a produção de Os enganados por quase dez anos e resultou em sua censura na maioria dos países em questão.

Mesmo assim, o filme teve uma carreira bem-sucedida em festivais, passando em Cannes, Cartago, Locarno e Moscou, entre outros. Com uma mistura inquietante de thriller e drama moral – cuja força é alimentada por elementos documentais –, Os enganados foi reconhecido como uma das obras incontornáveis do cinema árabe, além de um dos primeiros filmes de ficção a enfrentar a questão palestina com seriedade. O filme foi restaurado em 2023 pelo World Cinema Project, da Film Foundation, e pela Cinemateca de Bolonha, em colaboração com a NFO e a família de Tewfik Saleh. O financiamento para a restauração foi dado pela Hobson/Lucas Family Foundation, e agradecimentos especiais são devidos a Mohamed Challouf e Nadi Lekol Nas por suas participações no processo de restauro.

 

PROGRAMAÇÃO

IMS Paulista
15/5, quarta, 19h10
Seguida de debate com Arlene Clemesha, Aaron Cutler e Mariana Shellard

26/5, domingo, 16h30

IMS Poços
19/5, domingo, 16h


Diálogo árabe israelense

Arab Israeli Dialogue
Lionel Rogosin | EUA. | 1974, 41’, DCP, cópia restaurada (Kino Lorber/Milestone Films) | Classificação indicativa: 14 anos

“Eu penso que vocês, palestinos, e nós, israelenses, temos apenas duas alternativas: a partilha ou guerra eterna. Eu não acredito que haja qualquer esperança em deixar que os judeus abandonem o único estado onde eles têm uma nação independente e vida.”

“Não é problema meu. Eu não criei isso...E não estou pronto para pagar por isso.”

Assim começa uma febril conversa entre o jornalista, teatrólogo e escultor israelense Amos Kenan (1927-2009) e o poeta e ativista político palestino Rashed Hussein (1936-1977), no documentário de média-metragem Diálogo árabe israelense. Ao longo dos 40 minutos seguintes, os amigos de longa data e representantes autodesignados de seus povos buscam maneiras de apaziguar uma condição de coabitação desigual que foi imposta sobre os dois com a fundação do Estado de Israel um quarto de século atrás. No processo, Kenan se revela como um sionista com admiração profunda pelos palestinos, e Hussein, como um defensor de uma solução comum que valoriza os esforços históricos de países árabes a dar abrigo aos judeus perseguidos. Eles são filmados em preto e branco, e, conforme discutem em inglês e em hebraico sobre como atingir dignidade junto à justa moradia e direitos legais naquele momento, são intercaladas imagens coloridas da vida diária de pessoas em uma terra de beleza extraordinária.

A troca entre Kenan e Hussein foi filmada pelo cinegrafista Louis Brigante ao longo de dois dias no porão do Bleecker Street Cinema, em Nova York, uma importante sala de cinema de arte que foi operada pelo também cineasta norte-americano Lionel Rogosin. O diretor judeu (que anteriormente morou em Israel em dois momentos distintos) realizou Diálogo árabe israelense, seu décimo e último filme, quase duas décadas após seu longa-metragem de estreia, o neorrealista filme híbrido No Bowery (1956). Com Diálogo, Rogosin continuou sua prática de fazer um cinema politicamente engajado baseado nos princípios de empatia, humanismo e pacifismo. O próprio título do filme ecoa a história recente de guerras árabe-israelenses e responde com uma esperança de paz.

Diálogo árabe israelense foi rejeitado pela televisão pública norte-americana, e então passou principalmente no circuito universitário nas décadas seguintes. Hoje, o filme é reconhecido como um dos primeiros esforços cinematográficos a representar os dois lados de uma situação dolorosa e ainda sem resolução. Ele foi restaurado em 2019 pela Cinemateca de Bolonha a partir do filme reverso original em 16 mm e da trilha sonora magnética, preservados e disponibilizados pela Anthology Film Archives, em Nova York. O trabalho foi realizado no âmbito de um projeto de recuperação e divulgação da obra cinematográfica de Lionel Rogosin, desenvolvido pela Cinemateca e pela entidade sem fins lucrativos Rogosin Heritage, que visam a restaurar todos seus filmes até o final de 2024 em homenagem ao centenário do cineasta.

As sessões no IMS de Diálogo árabe israelense marcam a estreia brasileira do filme. Suas exibições são gratuitas.

 

PROGRAMAÇÃO

IMS Paulista
15/5, quarta, 18h
26/5, domingo, 19h

IMS Poços
19/5, domingo, 18h30
Sessão seguida de conversa com Aaron Cutler e Mariana Shellard


Programação

IMS PAULISTA

15/5/2024, quarta
18h - Diálogo árabe israelense*
19h10 - Os enganados
Seguida de debate com Arlene Clemesha, Aaron Cutler e Mariana Shellard

26/5/2024, domingo
16h30 - Os enganados
19h - Diálogo árabe israelense*

 

IMS POÇOS

19/5/2024, domingo
16h - Os enganados
18h30 - Diálogo árabe israelense*
Sessão seguida de conversa com Aaron Cutler e Mariana Shellard

*Para marcar a estreia brasileira do filme Diálogo árabe israelense, as sessões terão suas exibições gratuitas.

Ingressos

Vendas
Os ingressos do cinema podem ser adquiridos online ou na bilheteria do centro cultural, mais informações abaixo.

Meia-entrada
Com apresentação de documentos comprobatórios para professores da rede pública, estudantes, crianças de 3 a 12 anos, pessoas com deficiência, portadores de Identidade Jovem e maiores de 60 anos.

Cliente Itaú
Desconto de 50% para o titular ao comprar o ingresso com o cartão Itaú (crédito ou débito). Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala.

Devolução de ingressos
Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site.


IMS Paulista

Os enganados
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 12h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.

Os ingressos para as sessões são vendidos na recepção do IMS Paulista e pelo site ingresso.com. A venda é mensal e os ingressos são liberados no primeiro dia de cada mês.


Diálogo árabe israelense
Entrada gratuita. Sujeita à lotação da sala.
Distribuição de senhas 60 minutos antes de cada sessão. Limite de uma senha por pessoa.

Não é permitido o consumo de bebidas e alimentos na sala de cinema.


IMS Poços

Os enganados
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Bilheteria: de terça a sexta, das 13h às 19h. Sábados e domingos, das 9h às 19h, na recepção do IMS Poços.

Os ingressos para as sessões são vendidos na recepção do IMS Poços e pelo site ingresso.com. A venda é mensal e os ingressos são liberados no primeiro dia de cada mês. Os preços variam de acordo com o filme ou a mostra.


Diálogo árabe israelense
Entrada gratuita. Sujeita à lotação da sala.
Distribuição de senhas 30 minutos antes de cada sessão. Limite de uma senha por pessoa.

Não é permitido o consumo de bebidas e alimentos na sala de cinema.


Sessão Mutual Films

Sessão Mutual Films é um evento bimestral com o propósito de criar diálogos entre as várias faces do meio cinematográfico, trazendo para o público, sempre que possível, filmes, restaurações e eventos inéditos em sessões duplas.