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Candombe do Quilombo do Açude da Serra do Cipó (MG)

Considerado o pai de todos os Congados, da batida do candombe nasceu o moçambique, o catopé, a marujada, o congo, o caboclinho, a catira e tantas outras manifestações culturais. Devotado a Nossa Senhora do Rosário, o grupo preserva há mais de 200 anos a tradição viva.

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Tambor, Tambu das Minas

 

O Tambor, essa entidade que se alimenta da dança, do encontro, do fogo, do toque, do canto e do tempo, receberá ao longo da história diferentes nomes e manifestações em torno de seu toque. A nós, pretos urbanos-periféricos, nos interessa compreender e ouvir nessa Conversa entre Tambores as diversas formas de se cultuar essas tradições e celebrações que reavivam e remontam as ancestralidades.

Músicas no corpo e na alma, lições de difícil apreensão para o racionalismo ocidental. Músicas de natureza religiosa e simultaneamente de festa são constituídas como forma de visibilidade e contraste étnico. Estar juntos em torno da música configura sentido a um nós, em relação àqueles que distinguimos como os outros. Alimentamos assim matrizes culturais que perpetuam, com mudanças e novos significados, formas africanas de estar no mundo (Sallom, 2020, p.145)1.

O texto acima compõe a publicação Noite dos Tambores: do fazer ao sentir, organizada pelo Umoja. O trecho destacado faz parte de uma reflexão que o historiador, músico e multiartista mineiro Salloma Salomão faz em torno dos "Tambores africanos e diaspóricos”.
Com licença.

Enquanto este texto é escrito, me vem à memória o dia em que estive pela primeira vez em um quilombo e vi o Tambor ser banhado em ervas. Um ambiente com tom terroso, meio alaranjado iluminado pelo sol que entrava pelas janelas, folhas espalhadas pelo chão, acima delas: os tambores da comunidade estavam sendo benzidos antes de serem apresentados ao toque, antes de benzer os ouvidos.

"Respeito. Fé. Amorosidade. Reverência” são as palavras das mestras da comunidade do Açude, devotos da santa preta Nossa Senhora do Rosário. Considerado o pai de todos os Congados, da batida do candombe nasceu o moçambique, o catopé, a marujada, o congo, o caboclinho, a catira e tantas outras manifestações culturais.

De São Benedito a Nossa Senhora do Rosário, esses grupos preservam não apenas o culto e a celebração, mas a importância das Irmandades Pretas: espaços que, embora tivessem ligação com o catolicismo, eram locais de articulação política, solidariedade e afeto em pleno período colonial.

É sabido que os quilombos, mais do que agrupamentos de negros fugidos, constituíram ao longo da História um espaço de experiência libertária aos povos escravizados e aos contrários do regime escravocrata. Nos tempos atuais, os quilombos, embora ainda sejam o espaço de busca por liberdade, de preservação do ecossistema, são localizações cujas titularidades e legitimidades estão constantemente em luta diante de um Estado indisposto a lhes garantir o mínimo para sobrevivência: a terra.

1 Salloma, Salomão. In: Tambores africanos e diaspóricos, página 145. Noite dos Tambores: do fazer ao sentir. São Paulo: Oralituras, 2020.
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LEGENDAS

Foto 1
Raimundo Viana (Tambor Grande) e Reinaldo Valter (Tambor do Meio). Foto de GUMA.

Foto 2
Coletivo Camdombe. Foto de GUMA.

Foto 3
Vandernilson (nena) (caixa), Raimundo Viana (Tambor grande), Reinaldo Valter (Tambor do meio) e Rivanil dos Santos (Tambor pequeno). Foto de GUMA.

convidados do UMOJA - CONVERSA ENTRE TAMBORES

Mais sobre o Programa Convida
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