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Comunidade de Carimbó de São Benedito – Os Quentes da Madrugada (PA)

Tombado em 2014 como patrimônio imaterial brasileiro, o carimbó pertence ao panteão das danças populares de matriz afro-indígena do norte do Brasil. O grupo Os Quentes da Madrugada – Carimbó da Irmandade de São Benedito de Santarém Novo representa a luta de diversos grupos da cultura tradicional. Durante dois anos de luta pelo reconhecimento e tombamento do carimbó, o grupo seguiu tocando do Pará a Brasília e recolheu assinaturas por 18 dias para conseguir o devido reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Devota de São Benedito, há duzentos anos a Irmandade mantém a tradição de tocar carimbó por onze dias ininterruptos em homenagem ao santo bendito. O grupo, que está em sua quinta geração, anima as madrugadas de Santarém e tem como mestre carimbozeiro Seu Dico Boi, que aos 75 anos mantém vivo o legado: "Eu disse: Olhe meu pai, plante que eu vou tratar”.

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No Pará, os tambores são "Quentes"

 

Há uma ânsia coletiva para alimentar a alma nos encontros e nas rodas que se formam em torno do Tambor. Embora a busca por esse trabalho seja torná-lo atemporal, não podemos nos esquivar de que, ainda que mascarados, nossas vozes cantam em coro e se fazem ouvir através da máscara, parafraseando a escritora Conceição Evaristo. Na impossibilidade de fazermos nossas “aglomerações”, convidamos quatro grupos de diferentes geografias, sotaques e influências para construir essa Conversa entre Tambores: Os Quentes da Madrugada, Juçaral dos Pretos, Candombe da Serra do Cipó e Umoja.

Nessa uma década de investigação e articulação para construção da Noite do Tambores, o Umoja vem se encontrando com as diferentes células rítmicas que compõem essa nação Tambor afro-ameríndia. Neste vídeo, teremos uma pequena amostra desse trabalho que já reuniu mais de 60 grupos em 110 apresentações e aproximadamente 30 mil pessoas, sendo um dos principais eventos do calendário e ocupa no calendário cultural da cidade de São Paulo e referência na produção de um espaço para celebração das matrizes africanas e das tradições do Tambor.

Vindos de Santarém Novo, no norte paraense, as maracas e os tambores do Carimbó do grupo Os Quentes da Madrugada dialogam com as sonoridades e dança maranhense, no Tambo de Criola. O que se acredita é que o ritmo nasce da união das tradições africanas e indígenas, considerado uma derivação do lundum. O carimbó foi tombado em 2014 como Patrimônio Imaterial Brasileiro, reconhecimento obtido com luta e articulação política dos grupos paraenses que, ao longo de 18 dias, em 2014, peregrinaram e recolheram assinaturas para o documento entregue ao IPHAN.

A tradição do Carimbó dos Quentes da Madrugada tem mais de dois séculos. A Irmandade está em sua quinta geração, seu mestre carimbozeiro é Seu Dico Boi, que mantém vivo o legado. É devota de São Benedito, o santo preto celebrado em diversas expressões e tradições que têm o Tambor como elemento central: congadas, jongos, tambor de criola, batuques e por aí vai…

Quem esteve na Noite dos Tambores, em 2014, viu o quintal da Casa de Cultura do M’Boi Mirim girar ao som dos tambores e das maracas. Ali, a zona sul virou Santarém Novo e dos extremos periféricos mais uma vez, compreendemos que há no Tambor um nutriente essencial para alma: o corpo.

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LEGENDAS

Foto 1
Gilson (Barão) (carimbó grande), João Sota (Cabocão) (carimbó médio) e Mestre Dico Boi (carimbó grande). Foto de GUMA.

Foto 2
Antônio Walter (Preto) (carimbó pequeno). Foto de GUMA.

Foto 3
Yago (maracas), Antônio Waltesson (Japona) (réco-réco) e Mestre Sabá (Afoxê). Foto de GUMA.

convidados do UMOJA - CONVERSA ENTRE TAMBORES

Mais sobre o Programa Convida
Artistas e coletivos convidados pelo IMS desenvolvem projetos durante a quarentena. Conheça os participantes:

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