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Tambor de Crioula de São Benedito Juçaral dos Pretos (MA)

O grupo nasceu na região de Alcântara, na comunidade quilombola Juçaral dos Pretos. De branco, saias coloridas, renda branca, as mulheres de turbantes e os homens de chapéu de palha fazem o chão da terra tremer ao som do couro do roncador, do chamador e do crivador, quando tocados e aquecidos no calor da fogueira, magnetizando na dança o sagrado feminino da punga (umbigada).

Convidados: Mestre Chico, Mãe Kabeca, Mestra Roxa, Mestre Militão, Mestre Eriberto (Prefeito), Os Coreiros Magno (Maguila) e Marquinhos (São Luís/MA).

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Da encantaria à punga do Tambor de Crioula

 

Quando pensamos na história do Brasil, nas estruturas e nos meandros políticos que fundaram e articulam o pensamento que tentou construir uma nação hegemônica, cunhada no embranquecimento, imaginar territórios distantes nos quais as políticas públicas e os compromissos do Estado são escassos e muitas vezes remotos, e em tempos mais agudos (como os de agora, 2020), inexistentes; esses territórios e comunidades preservam saberes seculares, saberes que não estão nos livros oficiais de ensino, não estão atrelados apenas a um meio de expressão sonoro, mas à experiência corpórea através da dança e do encontro.

Essas territorialidades criam comunidades sonoras que reorganizam nossos sentidos de africanidades, ressignificam e fortalecem as lutas coletivas. Embora lutem no cotidiano pelo direito de existir em seus territórios (urbanos-periféricos, quilombolas, ribeirinhas e indígenas), preservam secularmente a manifestação do Tambor.

Nascida na região de Alcântara, no Maranhão, território quilombola que vive sob a disputa de terras com o Estado brasileiro, a comunidade de Juçaral dos Pretos salvaguarda o Tambor de Crioula e os saberes dos mestres. Devotos de São Benedito, padroeiro da festa que torna a pseudo fronteira entre sagrado e profano intangível. Nas palavras de Mestre Militão “o Tambor de Crioula não se dispensa. É raiz. Assim que é, é porque a gente gosta”.

De saias coloridas, pulseiras, blusa rendada e turbantes, as coreiras dão a punga (a umbigada), convidando a outra mulher para girar e fazendo a roda girar: no anti-horário, no não tempo da cronologia colonizada, mas no tempo do ancestral: o Tambor, cuja tríade percussiva será nomeada de roncador, chamador e crivador.

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LEGENDAS

Foto 1
Tambor de Crioula de São Benedito Juçaral dos Pretos. Foto de GUMA.

Foto 2
Tambor de Crioula de São Benedito Juçaral dos Pretos. Foto de GUMA.

Foto 3
Tambor de Crioula de São Benedito Juçaral dos Pretos. Foto de GUMA.

convidados do UMOJA - CONVERSA ENTRE TAMBORES

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