Bush Mama

Direção

Haile Gerima

Informações

EUA
1979. 97min. 16 anos

Formato de exibição

16mm

Debate

IMS Rio: 6/2/19, às 19h15
IMS Paulista: 19/2/19, às 19h30 

Das obras-primas fundacionais do que se entende por L.A. Rebellion, o crucial Bush Mama foi o trabalho de conclusão de mestrado de Haile Gerima – etíope que migrara para Los Angeles em 1967 – na UCLA, em 1975. Aqui está um dos encontros do diretor com a fenomenal atriz Barbara O. Jones – uma das mais prolíficas do contexto da L.A. Rebellion – e uma veneração capital à sua presença em cena, exibida em cópia cedida pelo arquivo da universidade.

A ficção desbrava o drama agudo de Dorothy, moradora de um inquieto quarteirão do bairro de Watts, que se vê diante de um excesso de realidade: seu companheiro está preso, enquanto ela precisa cuidar de sua filha e de uma gestação, enfrentando o protocolo míope da assistência social, a ubiquidade das normas disfuncionais e o bombardeio do juízo público em um estado de coisas em que a violência dá molde às dinâmicas coletivas. Dedicado ao ponto de vista da personagem, Gerima conduz a narrativa como uma arrojada busca de formas e de forças, como quem está seguro de que, para comunicar um desejo, é preciso inventar uma alternativa. É preciso ensinar-aprender a filmar a mobilidade (concreta e simbólica) de uma mulher negra – de Dorothy –, no branco cinema. O que deve acontecer com a representação para que Dorothy se mova? Como inscrever o olhar de uma mulher como ela num filme?

A personagem de Barbara O. Jones nos guia como projeto ativo de corpo-olhar, e o tempo da peregrinação termina por colapsar, de dentro da dramaturgia, os fluxos romanescos, criando estonteantes sequências que não cabem no compasso clássico, ritmadas então como um entorpecido jazz, porque atento demais: a política aqui é musical como condição discursiva, e a realidade será assim movida pelos devaneios entre a dicção e a vertigem – como a palavra que conclama: mova-se, Dorothy! Mova-se com Dorothy, espectador! Gerima aqui talvez tenha inventado uma pedagogia (a se apreender).


Debate

IMS Rio
6 de fevereiro, às 19h15
A exibição será seguida por fala de Juliano Gomes

IMS Paulista
19 de fevereiro, às 19h30
A exibição será seguida por fala dos curadores Luís Fernando Moura e Victor Guimarães

Juliano Gomes é crítico de arte e professor. Formado em Cinema  na PUC-Rio, mestrado na Comunicação da UFRJ. Lecionou na Pós-Graduação em Audiovisual na UNOCHAPECO, além de cursos livres da na Vila das Artes (Fortaleza -2014), Academia Internacional de Cinema, Semana dos Realizadores e no Festival Fronteira. Faz concepção audiovisual de espetáculos de teatro e dança desde 2010. É performer em Help! I need somebody. Dirigiu os curtas … (2007) e As Ondas (2017). Programou a Sessão Cinética no IMS desde 2009.

Luis Fernando Moura é pesquisador e programador de cinema. Graduado pela UFPE, é mestre e doutorando em Comunicação Social pela UFMG, onde integra o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência. Foi repórter e crítico nas redações dos jornais Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco, e escreveu sobre cinema, literatura e cultura para as revistas Continente, Monet, Gol, ArtFliporto, La Fuga, Tercer Film e Língua Portuguesa, para o Suplemento Pernambuco e para o portal Estadão, além de catálogos de mostras e outras publicações. Co-editou o dossiê "O cinema e o animal" da revista Devires. Desenvolveu projetos junto às produtoras Símio Filmes e Desvia. Foi um dos coordenadores do Cineclube Dissenso, no Recife. Foi um dos curadores das mostras Brasil Distópico, no Rio de Janeiro, e L.A. Rebellion, no Recife, e integrou comissões de curadoria no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (2017-2018) e no forumdoc.bh (2018). É curador e, desde 2015, coordenador de programação do Janela Internacional de Cinema do Recife.

Victor Guimarães é crítico, curador e professor. Escreve para a revista Cinética desde 2012 e para o site Horizonte da Cena desde 2015. Colaborou com revistas como Senses of Cinema (Austrália), Desistfilm (Peru), El Agente Cine (Chile), Lumière (Espanha) e La Furia Umana (Itália), além de diversos livros, catálogos de festivais e mostras retrospectivas no Brasil, na Argentina e na França. Foi professor no Centro Universitário UNA, na Universidade Positivo e na Vila das Artes. Curador de mostras como Sabotadores da Indústria (Sesc Palladium, 2014), Argentina Rebelde (Caixa Cultural/RJ, 2015), Anacronias (Semana – Festival de Cinema/RJ, 2017) e Brasil 68 (MIS Cine Santa Tereza/BH, 2018). Doutorando em Comunicação Social pela UFMG, com passagem pela Université Sorbonne-Nouvelle (Paris 3). É autor do livro O hip hop e a intermitência política do documentário (PPGCOM/UFMG, 2015) e organizador de Doméstica (Desvia, 2015). Atualmente é um dos curadores de longas-metragens da Mostra de Cinema de Tiradentes.


Programação

Não há sessões previstas para esse filme no momento.


Ingressos

Os ingressos para as sessões de cinema do IMS são vendidos nas bilheterias dos centros culturais e no site ingresso.com. 
 
As bilheterias vendem ingressos apenas para as sessões do dia. No site, as vendas são semanais: a cada quinta-feira são liberados ingressos para as sessões que acontecem até a quarta-feira seguinte.
 
IMS Paulista
Ingresso: R$8 (inteira) e R$4 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 10h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.
IMS Rio
Ingresso: R$8 (inteira) e R$4 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 11h até o início da última sessão de cinema do dia, na recepção.