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Contraste

Dando um rolê

Passing Through

Direção

Larry Clark

Informações

EUA
1977. 105min. 14 anos

Formato de exibição

DCP

Debate

IMS Rio: 5/2/19, às 19h
IMS Paulista: 23/2/19, às 20h30 

Realizado como filme de conclusão de mestrado na UCLA por Larry Clark – que já havia dirigido na escola o curta Tamu (1970) e o média-metragem As Above, So Below (1973) –, o filme tem como fio narrativo a história de Eddie Warmack (Nathaniel Taylor), saxofonista de jazz que deixa a prisão após cumprir sua pena pelo assassinato de um gângster branco. Enquanto tenta convencer seus colegas músicos a escapar da máfia da indústria fonográfica, que lucra com a exploração do suor e do talento dos artistas negros, Eddie parte em uma busca – ao lado de sua companheira Maya (Pamela B. Jones) – por seu avô, o lendário mestre jazzista Poppa Harris, interpretado pelo veterano Clarence Muse, ator com uma prolífica carreira de mais de 150 papéis e considerado o primeiro afro-americano a “estrelar” um filme.

À medida que a narrativa se move entre os conflitos raciais e a busca pela identidade negra, o filme se transforma em experiência visual e sonora inigualável. De forma ainda mais intensa do que nos filmes anteriores de Clark, a ficção se desdobra ora em ensaio – a partir da incidência de imagens de arquivo das lutas de liberação negra na África e nos Estados Unidos –, ora em pura investigação visual e sonora, embalada pelo jazz de vanguarda da Pan-Afrikan Peoples Arkestra, liderada por Horace Tapscott.

Mais do que oferecer um tema para o enredo ou um acompanhamento musical, o jazz é tratado por Larry Clark como um princípio formal, que inspira o trabalho fortemente experimental com as cores, as múltiplas camadas narrativas, as idas e vindas entre passado e presente que desafiam qualquer noção de linearidade, a extrema musicalidade da montagem. Para Clyde Taylor (historiador responsável por cunhar o termo L.A. Rebellion), trata-se do “mais ambicioso esforço de construir um filme em torno dos ritmos e dos movimentos da tradição jazzista”. Para o crítico francês Raphaël Bassan, em certa medida, Dando um rolê poderia ser considerado “o único jazz film da história do cinema”.

Um grande projeto de pesquisa coletivo, intitulado Liquid Blackness, foi iniciado na Georgia State University, nos EUA, inspirado pelo encontro das pesquisadoras e pesquisadores com Dando um rolê. Uma coletânea de ensaios a partir do filme (em inglês) pode ser conferida aqui.

A frase de Clyde Taylor faz parte do texto curatorial da primeira retrospectiva a reunir alguns dos filmes dessa geração, em 1986, no Whitney Museum of American Art. O texto pioneiro pode ser acessado aqui.

A frase de Raphaël Bassan integra um texto (em francês) do autor no jornal francês Libération, em 9 de setembro de 1985, intitulado “Douarmenez tout noir”.


Debate

IMS Rio
5 de fevereiro, às 19h
A exibição será seguida por fala dos curadores Luís Fernando Moura e Victor Guimarães

IMS Paulista
23 de fevereiro, às 20h30
A exibição será seguida por fala de Victor Guimarães

Luis Fernando Moura é pesquisador e programador de cinema. Graduado pela UFPE, é mestre e doutorando em Comunicação Social pela UFMG, onde integra o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência. Foi repórter e crítico nas redações dos jornais Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco, e escreveu sobre cinema, literatura e cultura para as revistas Continente, Monet, Gol, ArtFliporto, La Fuga, Tercer Film e Língua Portuguesa, para o Suplemento Pernambuco e para o portal Estadão, além de catálogos de mostras e outras publicações. Co-editou o dossiê "O cinema e o animal" da revista Devires. Desenvolveu projetos junto às produtoras Símio Filmes e Desvia. Foi um dos coordenadores do Cineclube Dissenso, no Recife. Foi um dos curadores das mostras Brasil Distópico, no Rio de Janeiro, e L.A. Rebellion, no Recife, e integrou comissões de curadoria no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (2017-2018) e no forumdoc.bh (2018). É curador e, desde 2015, coordenador de programação do Janela Internacional de Cinema do Recife.

Victor Guimarães é crítico, curador e professor. Escreve para a revista Cinética desde 2012 e para o site Horizonte da Cena desde 2015. Colaborou com revistas como Senses of Cinema (Austrália), Desistfilm (Peru), El Agente Cine (Chile), Lumière (Espanha) e La Furia Umana (Itália), além de diversos livros, catálogos de festivais e mostras retrospectivas no Brasil, na Argentina e na França. Foi professor no Centro Universitário UNA, na Universidade Positivo e na Vila das Artes. Curador de mostras como Sabotadores da Indústria (Sesc Palladium, 2014), Argentina Rebelde (Caixa Cultural/RJ, 2015), Anacronias (Semana – Festival de Cinema/RJ, 2017) e Brasil 68 (MIS Cine Santa Tereza/BH, 2018). Doutorando em Comunicação Social pela UFMG, com passagem pela Université Sorbonne-Nouvelle (Paris 3). É autor do livro O hip hop e a intermitência política do documentário (PPGCOM/UFMG, 2015) e organizador de Doméstica (Desvia, 2015). Atualmente é um dos curadores de longas-metragens da Mostra de Cinema de Tiradentes.


Programação

Não há sessões previstas para esse filme no momento.


Ingressos

Os ingressos para as sessões de cinema do IMS são vendidos nas bilheterias dos centros culturais e no site ingresso.com. 
 
As bilheterias vendem ingressos apenas para as sessões do dia. No site, as vendas são semanais: a cada quinta-feira são liberados ingressos para as sessões que acontecem até a quarta-feira seguinte.
 
IMS Paulista
Ingresso: R$8 (inteira) e R$4 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 10h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.
IMS Rio
Ingresso: R$8 (inteira) e R$4 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 11h até o início da última sessão de cinema do dia, na recepção.

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