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Contraste

Sessão INDETERMINAÇÕES

Ruínas de sangue

A persistência na espacialidade, não só como estrutura de algo, mas em figurações, significações e modos de ocupação, nos direcionou a obras em que as superfícies coloniais passam a ser esgarçadas, remexidas, preenchidas, deslocadas e remodeladas a partir do contato entre as diferentes imagens e experimentações sonoras. No programa, O olho na rua e o ouvido na cozinha (Joélia Santos, Luis “Lula” Lourenço, Maria Helena Rabadan, Flora Lamour, Fernanda Cursino, PV Zé e Lena, 1978), Morde & assopra (Stanley Albano, 2020), Dos Reis Magos dos Tupiniquins (Orlando Bomfim Netto, 1985), Casa Forte (Rodrigo Almeida, 2013) e Dona Beatriz Ñsîmba Vita (Catapreta, 2024) instauram um jogo contínuo de luz e sombra, em que trauma, cura, esquecimento, rememoração, erotismo e violência deformam o cotidiano e renegociam as interpretações sobre um país edificado sob contínuo sangue. Um elemento vermelho, quente, assombroso, que retorna, derrama-se e torna-se substância de reinvenção.

Blog do Cinema:
Ruínas de sangue, por Lorenna Rocha e Gabriel Araújo ►
Já era, já é: o desejo pela casa ainda é grande, por Alana Falcão ►

Cena de Morde & Assopra, de Stanley Albano

Filmes


O olho na rua e o ouvido na cozinha

Joélia Santos, Luis “Lula” Lourenço, Maria Helena Rabadan, Flora Lamour, Fernanda Cursino, PV Zé e Lena | Brasil | 1978, 17', DCP (Cinelimite/Felipe Karnakis), restauração 2K | Classificação indicativa: 14 anos

Livremente inspirado no conto homônimo de Hermilo Borba Filho, o curta-metragem busca nas imagens e nos sons formas de contemplar o ritmo e a paisagem em uma casa localizada no Alto do Moura, em Caruaru, município do Agreste pernambucano. Os seres que habitam o lugar aparecem como expressão de encantamento e, por vezes, fantasmagoria.


Morde & assopra

Stanley Albano | Brasil | 2020, 11', DCP (Acervo do diretor) | Classificação indicativa: 14 anos

Uma bicha preta quer fazer um filme. No casarão em que o avô trabalhou, passa o final de semana questionando se pode mesmo se chamar de artista. Venenosa e debochada, rememora o passado e lança uma maldição sobre o futuro.


Dos Reis Magos dos Tupiniquins

Orlando Bomfim Netto | Brasil | 1985, 12', DCP (Acervo Capixaba/Pique-Bandeira Filmes), restauração 2K | Classificação indicativa: 14 anos

Canções da música popular brasileira e a vivacidade das práticas culturais na Vila de Nova Almeida rasuram a restauração do altar-mor da igreja dos Reis Magos… e a própria história do Brasil.


Casa Forte

Rodrigo Almeida | Brasil | 2013, 11', DCP (Acervo Surto & Deslumbramento) | Classificação indicativa: 14 anos

Um bairro, um desejo, uma confissão: o abraço inconciliável.


Dona Beatriz Ñsîmba Vita

Catapreta | Brasil | 2024, 11', DCP (Acervo do diretor) | Classificação indicativa: 16 anos

Dentro de sua casa, um corpo automutilado se oferece à multiplicação. A destruição figura, então, possibilidade. O filme é livremente inspirado na história de Kimpa Vita, profetisa e líder política do reino do Congo no século XVII.


Teaser


Programação

IMS PAULISTA

10/9/2026, quinta
19h - O olho na rua e o ouvido na cozinha + Morde & assopra + Dos Reis Magos dos Tupiniquins + Casa Forte + Dona Beatriz Ñsîmba Vita
Sessão seguida de debate com Heitor Augusto, Lorenna Rocha e Gabriel Araújo

27/9/2026, domingo
16h30 - O olho na rua e o ouvido na cozinha + Morde & assopra + Dos Reis Magos dos Tupiniquins + Casa Forte + Dona Beatriz Ñsîmba Vita


Participantes

Heitor Augusto
Atua nas intersecções entre curadoria, consultoria, pesquisa, crítica e formação de pessoas desde 2008. Com trabalhos realizados em países como Alemanha, Canadá, Brasil, França e Estados Unidos, tem proposto projetos que se destacam pelo rigor de pesquisa, por abordagens inovadoras e por redefinir hierarquias da história do cinema. Uma das linhas de pesquisa curatorial de Augusto tem sido a realização negra, engajamento que se refletiu em projetos como as retrospectivas Cinema negro: capítulos de uma história fragmentada e Rastros da experimentação negra contemporânea.

 

Lorenna Rocha
É historiadora, crítica e programadora de mostras e festivais de cinema. Mestra em comunicação (UFPE), é cofundadora da Plataforma INDETERMINAÇÕES, onde desenvolve projetos que unem práticas de pesquisa, publicação, programação, difusão e preservação audiovisual. Editora-chefe da revista camarescura, participou de programas de formação em crítica de cinema, como Talent Press (Rio de Janeiro, 2019; Berlim, 2023) e RAW/Arché (Portugal, Trujillo e Madri, 2024). Fez parte da curadoria de festivais como Janela Internacional de Cinema do Recife e Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte. Desde 2024, integra a equipe de programação de curtas da Mostra de Cinema de Tiradentes.

 

Gabriel Araújo
É jornalista, graduado em comunicação social pela UFMG, e atua como programador e crítico de cinema. Cofundador da INDETERMINAÇÕES, é correspondente da Folha de S.Paulo em Belo Horizonte e um dos fundadores, coordenador-geral e curador do Cineclube Mocambo (MG). Integrou as equipes de curadoria do Festival Internacional de Curtas de BH (FestCurtasBH), do Festival do Filme Documentário e Etnográfico (Forumdoc.bh) e da LONA – Mostra Cinema e Territórios, com colaborações em outras mostras, programas e festivais. É coautor do livro Vidas inteiras: histórias dos 10 anos da Lei de Cotas (Crivo Editorial, 2023), obra semifinalista do Prêmio Jabuti 2024, e um dos editores da Revista Zanza v. 1: A cidade no cinema, a arte na cidade.


Ingressos

IMS Paulista

Entrada gratuita. Sujeita à lotação da sala.
Distribuição de senhas 60 minutos antes de cada sessão. Limite de uma senha por pessoa.
Não é permitido o consumo de bebidas e alimentos na sala de cinema.