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Destaques da coleção Paulo Leite


Texto do curador

Miguel Del Castillo

A Biblioteca de Fotografia do IMS Paulista possui em seu acervo diversas coleções especiais que são, em sua maioria, bibliotecas pessoais de importantes nomes do meio fotográfico. Reunidas, elas traçam, de certa maneira, uma história da publicação fotográfica e de sua circulação.

Temos dedicado este espaço expositivo da vitrine a mostras temáticas que instigam a reflexão a partir de livros– como as passadas Indumentárias negras em foco, Fotografia e literatura nos livros de Maureen Bisilliat, Amazônia, de Claudia Andujar e George Love e São Paulo no livro fotográfico: 1954-2017. Decidimos usá-lo também para destacar, de modo livre, alguns conjuntos do acervo. Após exibir os destaques da coleção Vania Toledo, agora é a vez de apresentar uma seleção da coleção Paulo Leite. As quase mil publicações reunidas pelo fotógrafo espelham sua produção profissional, com um pé na fotografia autoral e outro no fotojornalismo, e incluem também importantes revistas nacionais e estrangeiras.

Paulo Leite nasceu no Rio de Janeiro, em 1949, mas vive e trabalha em São Paulo desde 1977. Começou a atuar como fotojornalista quando se juntou ao quadro da revista Manchete, em 1974, tendo depois trabalhado, como parte da equipe ou freelancer, para veículos como O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Folha de S.Paulo, Isto É, Bravo!, Carta Capital, Veja, Visão e Quatro Rodas, entre outros, além de ter realizado retratos e ensaios para o terceiro setor.

Com um olhar que “provoca e ensina”, como escreveu o jornalista Humberto Werneck, o trabalho autoral de Paulo Leite transita entre o retrato e a fotografia de rua, entre a pose calculada e a espontaneidade das polaroides. Suas imagens, extraídas quase sempre do cotidiano, têm “um ‘segundo-plano’, um tom de mistério, uma quebra de silêncio sutil em busca da pele do tempo, sem esboço nem retoque”, anota o curador Diógenes Moura. Por sua diversidade, o conjunto de seus ensaios pessoais guarda certa estranheza, que se torna potência ao conseguir, segundo o pesquisador Rubens Fernandes Junior, “enfatizar a melancolia do homem contemporâneo, quer nos olhares plasmados dos retratos, quer nos registros de uma paisagem mais conceitual do que abstrata. As fotografias apontam para a fragilidade de um tempo passado e oferecem a contemplação para nosso espírito e para nossa imaginação.”

 

Detalhe de capas dos livros reunidos na exposição Destaques da coleção Paulo Leite, na Biblioteca de Fotografia do IMS Paulista

 

Ao longo de mais de 40 anos, Paulo Leite formou sua biblioteca fotográfica, que foi inaugurada com a Enciclopédia Life de Fotografia, presenteada pelo pai nos anos 1970. “Construir uma coleção expressiva de livros fotográficos autorais que amamos pode ser uma forma bem subjetiva de sentir-se publicando”, ele reflete. “No meu caso, isso foi muito verdadeiro, pois me identifico profundamente com os trabalhos desses artistas que fui encontrando nos livros, ou seja, o colecionismo foi também resultado natural de um encontro muito especial com a fotografia.” Claro que um dos exemplares daquela coletânea da famosa revista norte-americana deveria estar nesta seleção de 21 títulos. Também aparecem autores clássicos e mais contemporâneos que instigaram e informaram sua produção, como Robert Frank, talvez a maior influência, André Kertész, Henri Cartier-Bresson, Walker Evans, Josef Koudelka, Elliott Erwitt, Sally Mann, Robert Doisneau, Nan Goldin, Annie Leibovitz, Mary Ellen Mark, Alex Webb e outros, representados aqui muitas vezes com livros menos conhecidos do grande público.


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