Blog do Cinema
Macbeth negro
A tragédia de Macbeth, de Joel Coen (desta vez desacompanhado de seu irmão Ethan na direção), disponível via streaming, poderia ser apenas “mais uma” versão cinematográfica da peça de Shakespeare. Mas pelo menos duas circunstâncias o impedem de cair na vala comum da irrelevância: sua deslumbrante construção visual e a presença de Denzel Washington.
A carne e o espírito
Paul Verhoeven está de volta aos cinemas com Benedetta, drama histórico inspirado na vida de uma freira que dizia se comunicar com Jesus e foi acusada de bruxaria na Itália do século 17. E pela repercussão do filme, se até a relação erótica de Benedetta com outra freira ainda causa escândalo, isso diz mais sobre a regressão moral de nossa época do que sobre o fato histórico em si ou sobre a obra que o recria ficcionalmente.
Casos do acaso
O ano começa com uma pequena obra-prima em cartaz nos cinemas: o japonês Roda do destino, de Ryûsuke Hamaguchi. É, na verdade, um conjunto de três histórias independentes, quase três médias-metragens autônomos, que só se interligam pelo tema filosófico comum, a relação entre o acaso e o que costumamos chamar de destino.
Apenas uma comédia
Impossível não falar de Não olhe para cima. Para o bem ou para o mal, o filme de Adam McKay é o grande fenômeno deste final de ano. De “filmaço” a “lixo”, todos os vereditos foram proferidos nas redes sociais, nas conversas de boteco ou nos grupos de WhatsApp – alguns antes mesmo de tê-lo visto.
Amores líquidos
Ainda é possível fazer um filme de amor que não seja um melaço adolescente? Undine (foto), premiado no Festival de Berlim em 2020, prova que sim. Outro belo filme em cartaz, mas por motivos bem diversos, é Azor, que mostra a ditadura militar argentina por um ângulo original: o de um banqueiro suíço.
