Harun Farocki: quem é responsável?

Exposição

16 de março, às 11h, a 30 de junho de 2019

IMS Rio

Galeria principal
Rua Marquês de São Vicente, 476
Gávea - Rio de Janeiro/RJ

Horário

Terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 11h às 20h

Contato

(21) 3284-7400
imsrj@ims.com.br

Apresentação

A exposição reunirá filmes e videoinstalações do artista alemão Harun Farocki (1944-2014), realizados entre 1969 e 2014. Com curadoria da cineasta alemã Antje Ehmann e de Heloisa Espada, do IMS, a mostra discutirá o papel das imagens (fotografias, criptogramas, jogos eletrônicos e realidade virtual) e das formas de produção de imagens em conflitos sociais e bélicos.

Curadoria

Antje Ehmann e Heloisa Espada
Marina Barzon (assistente)

Na internet

farocki.ims.com.br
#ExpoFarocki

Imprensa

(11) 3371-4455
comunicacao@ims.com.br

Visitação

Entrada gratuita
16 de março, às 11h, a 30 de junho de 2019
Terças a domingos e feriados (exceto segundas), das 11h às 20h.

IMS Rio
Rua Marquês de São Vicente, 476
Gávea - Rio de Janeiro/RJ

Obras

A exposição no IMS Rio apresenta obras que abordam o uso de imagens variadas – pictogramas, cenas de monitoramento de trânsito, animações de jogos eletrônicos ou o retrato na capa de um tabloide – em sistemas de observação e controle.

Fogo inextinguível

Harun Farocki indaga como seria possível representar a dor das vítimas do Napalm na Guerra do Vietnã e questiona a alienação dos trabalhadores da indústria química envolvidos na produção de armas letais. A exemplo do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, em Nicht löschbares Feuer, Farocki adota uma estética austera e de caráter pedagógico, típica das peças teatrais realizadas pelo regime soviético a partir de 1920 com o objetivo de difundir os princípios do comunismo na União Soviética e no Leste Europeu.

Trecho de Fogo inextinguível, filme, 25' © Harun Farocki GbR, 1969

Interface

Schnittstelle é a primeira videoinstalação realizada por Harun Farocki para uma exposição de artes visuais. Ela foi produzida a partir do convite do Museu de Arte Moderna de Villeneuve d’Ascq, na França, para que o artista desenvolvesse uma obra sobre seu próprio processo criativo, com o objetivo de integrar a mostra Le monde après la photographie [O mundo depois da fotografia].

Farocki reflete sobre o trabalho de edição de imagens preexistentes captadas por terceiros ou por ele mesmo. O artista discorre sobre como duas imagens interferem uma na outra quando mostradas simultaneamente, como numa mesa de edição de vídeo, ou em sequência. Em Schnittstelle, o artista, que inúmeras vezes se voltou para o mundo do trabalho e suas consequências nas relações humanas, analisa o próprio ofício.

Trecho de Interface, videoinstalação, 23' © Harun Farocki GbR, 1995

Frases de impacto, imagens de impacto

Harun Farocki conversa com o filósofo Vilém Flusser sobre o papel das fotografias na capa do tabloide alemão Bild Zeitung. Flusser discorre sobre a interdependência entre texto e imagem e explica como os textos também assumem o papel de imagem. O encontro ocorreu na época da publicação de Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia, de Flusser, que teria impacto nas obras posteriores do cineasta.

Trecho de Frases de impacto, imagens de impacto. Uma conversa com Vilém Flusser, 13' © Harun Farocki GbR, 1986

Jogos Sérios I: Watson está ferido

Harun Farocki mostra uma sessão de treinamento na base militar Marine Corps Base 29 Palms, na Califórnia, Estados Unidos, em outubro de 2009. Quatro fuzileiros navais sentados numa sala de aula, em frente a quatro laptops, simulam a tripulação de um tanque de guerra no Afeganistão por meio de um programa que lembra um jogo de videogame. A animação é construída a partir de dados geográficos reais, reproduzindo árvores e montanhas tal como existem no Afeganistão.

Trecho de Jogos Sérios I: Watson está ferido, videoinstalação, 8' © Harun Farocki GbR, 2010

Jogos Sérios II: três mortos

Novamente na base militar Marine Corps Base 29 Palms, Harun Farocki acompanha o treinamento realizado numa cidade cenográfica construída no deserto californiano. O objetivo é preparar soldados para situações de conflito bélico em ambientes civis no Afeganistão e no Iraque. A atividade contou com cerca de 300 figurantes escolhidos entre imigrantes iraquianos, iranianos, afegãos e paquistaneses.

Trecho de Jogos Sérios II: três mortos, videoinstalação, 8' © Harun Farocki GbR, 2010

Jogos Sérios III: imersão

Cenas de uma palestra e de um workshop com a participação de psicólogos e psiquiatras das Forças Armadas norte-americanas sobre o uso de programas de realidade virtual para o tratamento de veteranos de guerra com estresse pós-traumático. As gravações foram feitas no Instituto de Tecnologias Criativas, um centro de desenvolvimento de realidade virtual, em Fort Lewis, Washington.

Trecho de Jogos Sérios III: imersão, videoinstalação, 20' © Harun Farocki GbR, 2009

Jogos sérios IV: sol sem sombra

Harun Farocki compara as animações de programas de computação para treinamento de guerra com imagens de programas de realidade virtual utilizados na terapia de soldados com estresse pós-traumático. Nota a diferença de investimento, pois as imagens para treinamento são mais verossímeis.

Trecho de Jogos sérios IV: sol sem sombra, videoinstalação, 8' © Harun Farocki GbR, 2010

(In) Formação, filme

Harun Farocki critica as formas de representação de estrangeiros na República Federal da Alemanha em diagramas, desenhos, gráficos e pictogramas, utilizados para reconstruir a história da imigração em livros didáticos, jornais e publicações oficiais.

Trecho de (In) Formação, filme, 16'© Harun Farocki GbR, 2005

Contramúsica

Neste ensaio sobre a cidade contemporânea, Harun Farocki compara imagens de câmeras de vigilância – gráficos, modelos digitais e sistemas de monitoramento urbano – com cenas dos filmes Um homem com uma câmera, de Dziga Vertov, e Berlim, sinfonia da metrópole, de Walter Ruttmann.

O artista realizou Gegen-Musik a partir do convite para participar da exposição La ville qui fait signes [A cidade que cria sinais], em Lille, França, em 2004. O título em francês, Contre-Chant (contracanto ou contramúsica) cria um jogo de palavras com a expressão “contrechamp” (contraplano), referente à técnica de montagem cinematográfica de plano e contraplano.

Para Farocki, as cidades de hoje são reguladas como um sistema de produção, tornando-se máquinas de viver e trabalhar.

Trecho de Contramúsica, videoinstalação, 23' © Harun Farocki GbR, 2004

Paralelo I

Harun Farocki traça um histórico das técnicas de animação gráfica entre os anos 1980, quando só era possível representar elementos da natureza com linhas verticais e horizontais, e os anos 2010, quando as imagens se aproximam cada vez mais do realismo fotográfico. O artista inscreve as animações de computador na história da arte e tenta compreender como elas se tornaram um modelo, superando a fotografia e a película de cinema.

Trecho de Paralelo I, videoinstalação, 16' © Harun Farocki GbR, 2012

Paralelo II e III

Parallele II e III propõem uma reflexão sobre a percepção do espaço e dos objetos na computação gráfica. Farocki compara os mundos artificiais dos jogos a discos flutuantes e a palcos de teatro. Demonstra que os objetos desenhados para os jogos são vazios, sem conexão com o mundo real.

Trecho de Paralelo II, videoinstalação, 9' © Harun Farocki GbR, 2014

Trecho de Paralelo III, videoinstalação, 7' © Harun Farocki GbR, 2014

Paralelo IV

No último trabalho da série, Farocki analisa gestos, atitudes e a aparência dos personagens protagonistas de jogos eletrônicos. Ao isolar os heróis do contexto dos jogos, o artista expõe a dimensão humana representada por suas limitações técnicas e pelos desafios aparentemente banais a que estão expostos.

Trecho de Paralelo IV, videoinstalação, 11' © Harun Farocki GbR, 2014


Sobre Harun Farocki

Harun Farocki (à direita) na filmagem de "Sauerbruch Hutton Arquitetos", 2012 © Matthias Rajmann

Nascido em Nový Jičín, cidade hoje pertencente à República Tcheca, o cineasta e artista alemão Harun Farocki (1944-2014) tornou-se conhecido pelo teor político de suas obras exibidas em circuitos de cinema e museus. Com mais de 100 filmes e instalações produzidos desde a década de 1960, Farocki foi também editor, ensaísta e professor. Em 2010, teve seu trabalho exposto na 29ª Bienal de São Paulo. Em 2012, o Museu de Arte do Rio promoveu uma mostra de seus filmes. Em 2016, o Paço das Artes, em São Paulo, realizou a exposição Programando o visível, com videoinstalações do artista.


Eventos paralelos

Exibição de filmes de Farocki no cinema do IMS Rio
Aos sábados, enquanto a exposição estiver em cartaz, o cinema do IMS Rio exibirá dois filmes do alemão.
As sessões são gratuitas, com distribuição de senhas 30 minutos antes e um ingresso por pessoa.
Imagens do mundo e inscrição da guerra, às 11h30
Intervalo, às 15h

Harun Farocki por Daniela Labra | Conversa na galeria
6 de abril, sábado, às 17h

Curso O poder da imagem: crítica e representação em Harun Farocki, Bertold Brecht, Vilém Flusser e Didi-Huberman
2, 9, 22 e 30 maio, das 19h às 21h

Exibição de Intervalo, seguida de debate com João Moreira Salles e Eduardo Escorel
16 de maio, quinta-feira, às 19h30
Entrada gratuita, com distribuição de senhas 30 minutos antes do evento


Itinerário da exposição

São Paulo, Brasil
IMS Paulista
De 17 de setembro de 2019 a 5 de janeiro de 2020
A mostra será apresentada no IMS Paulista com obras distintas.


Sobre os acervos