Sessão INDETERMINAÇÕES
Tudo aquilo que ferve
É possível haver incêndio onde aparentemente não há fogo? Naquele espaço, aqui, ali, em que não parece haver brasa ou qualquer indício de fumaça? Onde as pequenas combustões não se revelam de forma mais visível? Como são essas chamas que se espalham através dos sons, sons, sons, pelas palavras, pelo sangue negro; na hiperluminosidade, com a dança, além do dendê, na viscosidade da seiva, no cigarro, no mar, em acordes fúteis de um violão, em sopros descontínuos? A junção que antecede o espalhar de brasas: Inventário de um feudalismo cultural nordestino ou Fricção histórico-existencial (Jomard Muniz de Britto, 1978, cópia inédita restaurada em 2K) e Aquele que viu o abismo (Gregorio Gananian e Negro Leo, 2024). Saltos temporais, mistura de matérias distantes, sombriamente desconexas, colapso permanente em suas diferentes desordens; desbunde, pirraça, desalinho absoluto. Com tamanha ebulição ao nosso redor, por todas as partes, indagamos: como não perseguir a negridade [blackness] contida nesse movimento abrupto, errático e desordenado pelo estilhaçamento?
Blog do cinema:
Contra o excesso de ser ou “É preciso e urgentíssimo que alguém escreva para não salvar nada” - por Victor Galdino ►
Tudo aquilo que ferve - Gabriel Araújo e Lorenna Rocha ►

Filmes
Jomard Muniz de Brito | Brasil | 1978, 11', DCP, restauração digital em 2K (Itaú Cultural/Cinelimite/INDETERMINAÇÕES/Mnemosine Serviços Audiovisuais) | Classificação indicativa: 14 anos
A poesia de Jomard Muniz de Britto alastra-se entre as imaginadas cidades incendiárias do Recife e de Olinda, em atrito com os monumentos, os institutos, as instituições e os bacharéis-intelectuais-burocratas. Encontra-se com o corpo embrasado do Grupo de Teatro Vivencial, Bat macumba, vibrando em frequências singulares.
Gregorio Gananian e Negro Leo | Brasil | 2024, 70’, DCP | Classificação indicativa: 14 anos
X, indeterminado, infinito. Combustão, implosão, antidomínio. Des/reconhecimento facial, militarismo global, necropolítica. Maquinaria, danos irreparáveis, vidro em estilhaços. Fotografias: desde agora, desde ontem. Hiperluminosidade. Blackness. Tocar piano, fazer um jazz, tocar um sax. Fumar cigarro, descodificar-se. Pensa numa coisa: eu te amo.
IMS PAULISTA
7/5/2026, quinta
19h - Aquele que viu o abismo + Inventário de um feudalismo cultural nordestino ou "Fricção histórico-existencial"*
Sessão seguida de debate com Gregorio Gananian, Negro Leo, Lorenna Rocha e Gabriel Araújo
30/5/2026, sábado
16h - Aquele que viu o abismo + Inventário de um feudalismo cultural nordestino ou "Fricção histórico-existencial"
*Sessão gratuita
Gregorio Gananian
Dirigiu os longas-metragens Aquele que viu o Abismo (2024), em parceria com Negro Leo, premiado como Melhor Filme na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, e Inaudito (2018), realizado com Danielly O.M.M., vencedor da 21ª Mostra de Tiradentes. Também dirigiu curtas, como Nenhuma fantasia (com Negro Leo), G.M – 8 cantos e A guerra de Michael, além de videoclipes, como Trevas, de Jards Macalé, e Fera mastiga e Action Lekking, de Negro Leo. É sócio da produtora Zaum ao lado de Marisa Merlo e Clara Choveaux. Atualmente, finaliza seu terceiro longa-metragem, O inspetor geral, que conta com a atuação de Clara Choveaux, Ivon Patrocínio e grande elenco. No campo dos espetáculos, desenvolve trabalhos na intersecção entre cinema, música e performance, como Sinfonia de Jards, com Jards Macalé, apresentado no Teatro Oficina, O olhar, com José Roberto Aguilar, no Sesc Consolação, e a opereta Gilberto mundus, com Gilberto Mendes.
Negro Leo
É artista maranhense. Com 12 discos lançados desde 2012, tem tocado em diversos palcos prestigiados no mundo. No teatro, participou da ópera O café, com música de Felipe Senna, a partir de libreto de Mário de Andrade, e direção de Sergio Carvalho, da Cia. do Latão. Participou também da Pretoperitamar, com direção de Grace Passô e Anelis Assumpção. É integrante da Ciranda do Gatilho, grupo multimídia interdisciplinar. Escreveu artigo especial para a revista Jacobin Brasil. No cinema, realizou o curta Nenhuma fantasia e o longa Aquele que viu o abismo, com Gregorio Gananian, este último premiado na mostra Olhos Livres da Mostra de Cinema de Tiradentes. Teve sua trajetória biografada em Deixa queimar, por Bernardo Oliveira. Integrou a banda da peça Avenida Paulista, da Consolação ao Paraíso, dirigida por Felipe Hirsch.

Lorenna Rocha
É historiadora, crítica e programadora de mostras e festivais de cinema. Cofundadora da INDETERMINAÇÕES. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE, é também editora-chefe da revista camarescura. Atuou como crítica no blog Sessão Aberta e na revista Cinética. Integrou a equipe de programação e curadoria de diferentes festivais, como Janela Internacional de Cinema do Recife e Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte. Em 2023, participou do programa Talent Press no 73º Festival Internacional de Cinema de Berlim e, no ano seguinte, foi uma das pesquisadoras do RAW/Arché, residência artística do Doclisboa (Portugal) e Festival Márgenes (Espanha). Desde 2024, compõe a equipe de programação de curtas-metragens da Mostra de Cinema de Tiradentes.
Gabriel Araújo
É jornalista, graduado em Comunicação Social pela UFMG e atua como programador e crítico de cinema. Cofundador da INDETERMINAÇÕES, é repórter da Folha de S.Paulo e um dos fundadores, coordenador-geral e curador do Cineclube Mocambo (MG). Desde 2022 integra as equipes de curadoria do Festival Internacional de Curtas de BH (FestCurtasBH) e da LONA – Mostra Cinema e Territórios, com colaborações em outras mostras, programas e festivais. É coautor do livro Vidas inteiras: histórias dos 10 anos da Lei de Cotas (2023), semifinalista do Prêmio Jabuti 2024, e um dos editores da Revista Zanza vol. 1: a cidade no cinema, a arte na cidade.
Vendas
Os ingressos do cinema podem ser adquiridos online ou na bilheteria do centro cultural, mais informações abaixo.
Meia-entrada
Com apresentação de documentos comprobatórios para professores da rede pública, estudantes, crianças de 3 a 12 anos, pessoas com deficiência, portadores de Identidade Jovem e maiores de 60 anos.
Cliente Itaú
Desconto de 50% para o titular ao comprar o ingresso com o cartão Itaú (crédito ou débito). Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala.
Devolução de ingressos
Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site.
Sessões com debate
As sessões com debate são gratuitas. Sujeita à lotação da sala.
Distribuição de senhas 60 minutos antes do evento. Limite de 1 senha por pessoa.
IMS Paulista
Sessão com debate
Entrada gratuita. Sujeita à lotação da sala.
Distribuição de senhas 60 minutos antes de cada sessão. Limite de uma senha por pessoa.
Demais sessões
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 12h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.
Os ingressos para as sessões são vendidos na recepção do IMS Paulista e pelo site ingresso.com. A venda é mensal e os ingressos são liberados no primeiro dia de cada mês.
Não é permitido o consumo de bebidas e alimentos na sala de cinema.
