Blog do Cinema
‘Contra a interpretação’
O crítico José Geraldo Couto toma emprestado o título de um livro célebre de Susan Sontag para falar de Cidade dos sonhos (2001), de David Lynch, “pois, como todos os melhores filmes do diretor, esse também elude (e ilude) qualquer leitura que se pretenda explicativa ou, pior ainda, definitiva”.
O lugar da fala
Se há uma dúzia de clássicos obrigatórios para um curso de história do cinema, Rashomon (1950), de Akira Kurosawa, certamente está entre eles. Inspirado em dois contos do escritor Ryunosuke Akutagawa (1892-1927), o filme é ambientado no Japão do século 11 e conta uma história brutal. O evento é narrado alternadamente por quatro pessoas diferentes e é justamente no entrechoque de versões que ele se torna paradigmático e um dos mais influentes de todo o cinema.
Faroeste no feminino
O faroeste sempre foi um gênero masculino, mas nos últimos anos Kelly Reichardt vem abalando esse último bastião da macheza com filmes como O atalho e First Cow (foto). Em lugar da mitologia do desbravamento do Oeste, entra uma observação nuançada dos gestos humanos em um ambiente inóspito.
Glauber redux
Disponível para streaming gratuito, uma seleção com sete filmes de Glauber Rocha – incluindo duas obras-primas incontestáveis, Deus e o diabo na terra do sol e Terra em transe (foto) – permite uma revisão crítica de seu trabalho e a constatação de que continua vivo e inquietante como nunca.
Salve o cinema
Vencedor do festival É Tudo Verdade, Cine Marrocos poderia ser apenas um documentário sobre um antigo cinema em São Paulo, enfatizando sua ocupação por trabalhadores sem-teto e a posterior reintegração de posse. É algo bem maior: um filme sobre o poder mágico e transformador do cinema em confronto com a realidade bruta.
