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Primavera autoral

15 de outubro de 2020

Kubrick, Resnais, Coppola, Scorsese, Wenders, Spielberg, Kieslowski. Há quanto tempo o circuito comercial não exibia, ao mesmo tempo, obras marcantes de todos esses cineastas?

Pois é exatamente isso o que acontece hoje na cidade de São Paulo, e talvez em menor grau em outras capitais pelo Brasil afora. Sem falar de cults contemporâneos como Matrix, 2046, O filho da noiva e Corra!, bem como de filmes autorais inéditos como o coreano O hotel às margens do rio, de Hong Sang-soo, e os brasileiros Sem seu sangue, de Alice Furtado, Macabro, de Marcos Prado, e Breve miragem de sol, de Eryk Rocha.

Por vias tortas, é a pandemia de covid-19 a responsável pelo fenômeno. A explicação é simples: com os cinemas abrindo timidamente, com restrições de público e o compreensível temor de boa parte dos potenciais espectadores, as grandes distribuidoras por enquanto não se mostram dispostas a lançar seus blockbusters – aqueles rolos compressores que costumam deixar pouco espaço para as produções independentes ou de cinematografias não hegemônicas.

 

 Kubrick, Resnais, Coppola, Scorsese, Wenders, Spielberg, Kieslowski

 

Ar de cineclube

Com isso, cinemas como os Espaços Itaú, o Petra Belas Artes e o Reserva Cultural – para ficar no caso paulistano – acabam apostando numa programação mais arejada, robusta e menos descartável. Os cinéfilos, pelo menos os mais destemidos, agradecem.

As salas exibidoras adquirem até um ar de cineclube, com mostras dedicadas a determinados cineastas. O Reserva Cultural, por exemplo, programou uma retrospectiva Krzysztof Kieslowski, com dez longas-metragens do diretor polonês, entre eles as obras-primas Não amarás, Não matarás e A fraternidade é vermelha, além do inédito Sorte cega (1987). Está relançando ainda E.T., de Steven Spielberg, e O iluminado, de Stanley Kubrick.

 

Cena de "Dunkirk", de Christopher Nolan

 

Já o Petra Belas Artes e o Espaço Itaú trazem vários títulos de Christopher Nolan, incluindo Batman – Cavaleiro das trevas, A origem e Dunkirk. Uma retrospectiva dedicada a Wim Wenders no Belas Artes termina hoje (15/10). E voltam à tela dois dos maiores sucessos da sala: Medos privados em lugares públicos, de Alain Resnais, que ficou em cartaz durante quase quatro anos, de julho de 2007 a março de 2011, e 2046, de Wong Kar-wai, exibido durante dois anos, de janeiro 2006 a janeiro de 2008.

O Espaço Itaú relança também o monumental A melhor juventude (2003), de Marco Tulio Giordana, em duas partes de três horas cada. E traz ainda Os bons companheiros, de Martin Scorsese (no Shopping Pompeia), e Apocalypse now – Final cut, de Francis Coppola.

 

Mostra internacional

Tudo isso serve de preâmbulo e complemento à 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que começa no próximo dia 22 e este ano terá 198 filmes, exibidos basicamente online, o que pela primeira vez permitirá o acesso de espectadores de todo o país. Enfim, de falta de opções o cinéfilo não poderá reclamar. De excesso, talvez.

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