Anri Sala: o momento presente

RECESSO: o IMS Paulista ficará fechado de 2 a 15 de janeiro de 2018 para ajustes em suas instalações. Neste período, o restaurante Balaio funcionará normalmente no térreo do prédio da Avenida Paulista 2424. 

Exposição

Entrada gratuita
Galeria 1:
 13/12/2017 a 25/3/2018. Fechada de 31/12/2017 a 15/1/2018.

Galeria 2: 24/1/2018 a 25/3/2018

IMS Paulista

Galerias 1 e 2
Avenida Paulista, 2424
São Paulo/SP

Horário

Terças a domingos (exceto quintas), das 10h às 20h. Às quintas (exceto feriados), das 10h às 22h. 

Contato

(11) 2842-9120
imspaulista@ims.com.br

Apresentação

Curadoria

Heloisa Espada

Na Internet

#AnriSalaNoIMS 

anrisala.ims.com.br

Imprensa

(11) 3371-4455
comunicacao@ims.com.br

A exposição Anri Sala: o momento presente é a segunda apresentação ampla do artista albanês Anri Sala (Tirana, 1974) no Brasil. Trata-se de um projeto que compreende duas exposições no Instituto Moreira Salles. A primeira delas aconteceu na sede do IMS do Rio de Janeiro, em 2016. A segunda etapa da exposição ocupa dois andares do IMS Paulista e apresenta obras ainda inéditas no país. Por ocasião da abertura, no dia 12, às 19h, aconteceu uma conversa entre o artista e Heloisa Espada, curadora da mostra.

Na etapa paulista, Anri Sala: o momento presente reunirá trabalhos recentes, sobretudo videoinstalações sonoras, tais como The Present Moment (2014), Long Sorrow (2005), Answer Me (2008), Le Clash (2010) e Tlatelolco Clash (2011). A mostra explicita a dimensão política e ao mesmo tempo sensível da obra de Sala. Por um lado, as obras propõem uma avaliação crítica do mundo contemporâneo; por outro, impactam a sensibilidade do espectador por meio do som. Para Heloisa, “ao justapor situações pessoais, históricas e políticas, os trabalhos em exibição propõem aos visitantes experiências nada apaziguadoras”.

O grande destaque da exposição no IMS Paulista é a videoinstalação The Present Moment (in D) e The Present Moment (in B-flat) (2014), apresentada pela primeira vez no país, em que o artista reconstrói a composição Verklärte Nacht [Noite transfigurada], Op. 4, de Arnold Schönberg. Nessa e em outras obras, Sala explora o potencial da música de nos conectar de maneira intensa com o presente.

Outro destaque da mostra é a videoinstalação Làk-kat 3.0 (Brazilian Portuguese/Portuguese/Angolan Portuguese) (2016), uma nova versão do vídeo de Làk-kat, filmado em 2009, no Senegal, desenvolvida especialmente para a exibição no Brasil. A obra é composta por três telas mostrando a mesma cena de um diálogo em uólofe (língua original da região onde hoje fica o Senegal) e francês, sendo que cada uma das telas apresenta legendas em português enfocando diferenças entre expressões idiomáticas típicas do Brasil, de Portugal e de Angola. Além de abordar relações de poder por meio da impossibilidade de se traduzir algumas palavras em uólofe, a obra lança um olhar para o passado colonial do Brasil e suas raízes africanas. Para realizar a nova versão brasileira, o artista trabalhou em colaboração com a escritora brasileira Noemi Jaffe, o angolano Ondjaki e o português José Luís Peixoto.

Acompanha a mostra um catálogo com textos inéditos de Heloisa Espada, Moacir dos Anjos e Natalie Bell, além da tradução de um artigo de Jacques Rancière. Com projeto gráfico do escritório de design Bloco Gráfico, a publicação recebeu o Prêmio Aloísio Magalhães para melhor projeto gráfico da Biblioteca Nacional e foi escolhido pelo American Institute of Graphic Arts como um dos 50 melhores livros de 2016 no prêmio 50 Books | 50 Covers. O catálogo está à venda nos centros culturais do IMS e na loja online.

As videoinstalações The Present Moment (in D) e The Present Moment (in B-flat) (2014), a série de fotografias Untitled (corner) (2004) e as instalações Moth in B-Flat (2015) e Moth in D (2015) serão exibidas a partir de 13 de dezembro na Galeria 1 do IMS Paulista. O filme 1395 days without red (2011) será apresentado a partir da mesma data, todos os dias, às 12h30, no cinema do instituto.

As obras Answer Me (2008), Le Clash (2010), Tlatelolco Clash (2011), Long Sorrow (2005), Jemeel Moondoc responding to his own performance in Long Sorrow (2006) e Làk-kat 3.0 (Brazilian Portuguese/Portuguese/Angolan Portuguese) (2016) estarão na Galeria 2 a partir de 24 de janeiro de 2018.


Obras

Galeria 1

De 13 de dezembro de 2017 a 25 de março de 2018

1. The Present Moment (in B-flat), 2014 e The Present Moment (in D), 2014

Vídeo HD em canal único, instalação de 19 canais de som, cor (21'30")
Cortesia Galerie Chantal Crousel, Paris; Marian Goodman Gallery; Hauser & Wirth

A partir da composição romântica Verklärte Nacht Op. 4 [Noite transfigurada Op. 4] (1899), de Arnold Schönberg, Anri Sala cria novas partituras que culminam no isolamento das notas ré e si bemol, tocadas pelo sexteto que aparece nas telas dispostas em dois cantos da galeria. As notas em ré e si bemol são tocadas repetidamente, em sequência, submetendo a composição romântica original ao método serialista desenvolvido mais tarde por Schönberg.

Por meio das diferentes partituras extraídas de Verklärte Nacht, tocadas simultaneamente em uma série de alto-falantes, O momento presente convida o espectador a uma jornada acústica no espaço e no tempo.

 

 

 

2. Moth in B-Flat, 2015

Tambor, baquetas, presilhas, partes de alto-falantes, som único / altered snare drum, drumsticks, altered snare stand, loudspeaker parts, mono sound
7'18"
Cortesia Marian Goodman Gallery

 

3. Moth in D, 2015

Tambor, baquetas, presilhas, partes de alto-falantes, som único (7'18")
Cortesia Hauser & Wirth

 

4. Untitled (corner), 2004

Oito fotografias em preto e branco sobre papel barita 
Cortesia do artista | Cópia de exposição

Galeria 2

De 24 de janeiro a 25 de março de 2018

1. Làk-kat 3.0 (Brazilian Portuguese/Portuguese/Angolan Portuguese), 2016

Videoprojeção em três canais, som estéreo, cor (9'38")
Tradução brasileira de Noemi Jaffe/ Tradução portuguesa de José Luís Peixoto / Tradução angolana de Ondjaki
Cortesia Esther Schipper, Berlim

Gravado em Senegal, o vídeo mostra três garotos num ambiente escuro, onde um adulto os faz repetir palavras em uólofe, idioma original da região que atualmente abrange alguns países da chamada África Ocidental (Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau, Mali e Mauritânia). A princípio, os vocábulos se referem aos conceitos de escuridão e claridade e, em seguida, descrevem tons de pele e maneiras variadas de se referir a estrangeiros.

O diálogo surgiu do interesse de Anri Sala pelo fato de que hoje em dia, no Senegal – onde uólofe e francês são idiomas oficiais –, muitos nomes de cores são falados apenas na língua do colonizador. Por outro lado, o uólofe tem mais palavras do que a maior parte das línguas para definir diferentes tons de preto e branco, o que está presente em Làk-kat.

As três telas da instalação mostram simultaneamente traduções do uólofe para o português falado no Brasil, em Portugal e em Angola. Como se referem a relações culturais muito específicas do Senegal, as traduções, assumidas como recriações, muitas vezes transformam o sentido da palavra original ao adaptá-la às realidades culturais de cada um dos três países.

 

2. Le Clash, 2010

Vídeo hd em canal único, som surround 5.0, cor (8'31")
Cortesia Galerie Chantal Crousel, Paris; Marian Goodman Gallery; Hauser & Wirth; Johnen Galerie, Berlim; kurimanzutto, Cidade do México

Um homem carregando uma caixa de música e um casal empurrando um realejo caminham em direção à casa de concertos Salle de Fêtes, fechada desde 1993, em Bordeaux. Eles tocam versões da música “Should I Stay or Should I Go”, do grupo britânico The Clash, símbolo da cultura punk rock do início dos anos 1980.

 

3. Tlatelolco Clash, 2011

Vídeo hd em canal único, som surround 5.0, cor (11'49")
Cortesia kurimanzutto, Cidade do México;Marian Goodman Gallery; Hauser & Wirth; Galerie Chantal Crousel, Paris; Kaikai Kiki, Tóquio.

Na praça das Três Culturas, Cidade do México, transeuntes manuseiam cartões perfurados de realejo que correspondem a quatro segundos da música “Should I Stay or Should I Go”, da banda inglesa The Clash. As pessoas inserem os cartões num órgão mecânico disposto no local, e a música é tocada em diferentes ritmos.

A praça das Três Culturas é conhecida por reunir três momentos emblemáticos da formação cultural do México: as ruínas do templo asteca Tlatelolco, uma igreja espanhola do período colonial e um conjunto habitacional modernista. Também foi onde ocorreu a última batalha entre os astecas e os espanhóis, vencida pelos europeus, e foi palco do Massacre de Tlatelolco, em 1968, quando cerca de 300 estudantes foram mortos por forças da polícia e do exército a dez dias dos Jogos Olímpicos da Cidade do México.

 

4. Long Sorrow, 2005

Super 16 mm transferido para vídeo hd em canal único, som estéreo, cor (12'57")
Produzido por Fondazione Nicola Trussardi, Milão
Cortesia Marian Goodman Gallery; Hauser & Wirth; Galerie Chantal Crousel, Paris; Johnen Galerie, Berlim; Galerie Rüdiger Schöttle, Munique

O saxofonista Jemeel Moondoc faz uma improvisação de jazz pendurado do lado de fora do 18º andar de um prédio em Berlim, um conjunto habitacional modernista apelidado pelos moradores como Langer Jammer, que significa “long sorrow” [sofrimento longo] em inglês.

 

5. Jemeel Moondoc responde à sua própria performance em Long Sorrow

Gravado no dia 22 de abril de 2006, na Galerie Chantal Crousel, em Paris

 

6. Answer Me, 2008

Vídeo HD em canal único, som estéreo, cor (4'51")
Cortesia Marian Goodman Gallery; Hauser & Wirth; Johnen Galerie, Berlim; Galerie Rüdiger Schöttle, Munique; Galerie Chantal Crousel, Paris

Uma mulher tenta se comunicar com o parceiro, que se nega a ouvi-la e toca bateria com força. Os dois estão fisicamente distantes, em cantos opostos de um grande salão: ele voltado para a parede de uma cúpula geodésica que amplifica e ecoa o som de sua performancemusical; ela, ao lado de um tambor sobre o qual duas baquetas se mexem aparentemente sozinhas. O poder de ressonância do domo permite que o som da bateria se multiplique e faça vibrar a superfície do tambor que está diante da mulher. Como consequência, as baquetas se movem.

Answer Me foi filmado no interior de uma das cúpulas geodésicas baseadas no projeto de Buckminster Fuller construídas em 1963 para servir como estação de escuta e espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos em Berlim ocidental, para monitorar o antigo bloco soviético. O conjunto de quatro cúpulas – hoje uma ruína da Guerra Fria – fica no topo de Teufelsberg [Montanha do Diabo], uma colina artificial erguida com destroços retirados da cidade na Segunda Guerra. Teufelsberg foi construída sobre o projeto inacabado de uma faculdade militar nazista projetada por Albert Speer.


Cinema

O filme 1395 days without red (2011) será apresentado de 13 de dezembro de 2017 a 25 de março de 2018, de terça a sábado, às 12h30, no cinema do IMS Paulista

1. 1395 Days without Red, 2011

Vídeo HD em canal único, som surround 5.0, cor (43'46")

Um filme de Anri Sala em colaboração com Liria Bégéja a partir de um projeto de Šejla Kamerić e Anri Sala em parceria com Ari Benjamin Meyers © Anri Sala, Šejla Kamerić, Artangel, scca/2011

Cortesia Marian Goodman Gallery; Hauser & Wirth

O filme mostra a Orquestra Filarmônica de Sarajevo praticando o primeiro movimento da Sinfonia patética, a sexta e última composta por Tchaikovsky, em 1893. Ao mesmo tempo, uma musicista atravessa a cidade sitiada a caminho do ensaio. O filme faz referência aos 1395 dias do cerco de Sarajevo, entre 5 de abril de 1992 e 29 de fevereiro de 1996, durante a guerra da Bósnia-Herzegovina, quando vestir roupas vermelhas e brilhantes era extremamente perigoso por atrair a atenção dos franco-atiradores.


Vídeos

Pouco antes da abertura da exposição Anri Sala: O momento presente, o artista albanês conversou com a curadora Heloisa Espada sobre esta sua segunda mostra mais ampla no Brasil e as diferenças entre o projeto do IMS Paulista, que se estenderá por duas galerias do centro cultural, e a primeira montagem ocorrida no IMS Rio em 2016. Assista a um compacto da entrevista com tradução simultânea ou, se preferir, a íntegra do vídeo com som original.


Sobre Anri Sala

Anri Sala é um dos artistas contemporâneos de maior destaque na cena artística internacional. Nasceu em 1974, na cidade de Tirana, capital da Albânia. Estudou na Academia Nacional de Artes de Tirana e na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, em Paris, de 1996 a 1998, quando começou a trabalhar com vídeo. Em 1998, deu início à pós-graduação em direção na Le Fresnoy, Studio National des Arts Contemporains.

O vídeo Intervista (Finding the Words), com o qual Anri Sala tornou-se conhecido, recebeu os prêmios de Melhor Documentário no Festival Entrevues, em Belfort, França, e no Brooklyn Film Festival, em Nova York, além de Melhor Curta-Metragem no Festival Amascultura, em Lisboa. Em 2000, o artista participou da Manifesta 3, em Liubliana, Eslovênia. Um ano depois, recebeu o prêmio de jovem artista pelo trabalho Uomoduomo (2000), na 49ª Bienal de Veneza. No ano de 2004, realizou a sua primeira grande individual, Entre chien et loup/When the Night Calls it a Day, organizada pelo Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris. Participou da 25ª Bienal de São Paulo, em 2002, e da 29ª Bienal de São Paulo, em 2010.

Em 2013, Anri Sala representou a França na 55 ª Bienal de Veneza com a videoinstalação Ravel Ravel Unravel, com a qual recebeu o 10º Prêmio Benesse. No ano seguinte, participou da retrospectiva Une histoire, art, architecture et design, des années 80 à aujourd'hui, no Centre Georges Pompidou, em Paris. No início de 2016, o artista realizou a individual Anri Sala: Answer Me no New Museum, em Nova York, com trabalhos do início de sua carreira até obras recentes. Atualmente, ele vive e trabalha em Berlim.


A exposição no IMS Rio

Entre 10 de setembro e 20 de novembro de 2016, o IMS Rio recebeu a primeira etapa da exposição Anri Sala: o momento presente, que ocupou toda a casa na Gávea com fotografias, objetos e videoinstalações sonoras representantes de fases distintas da produção do artista albanês.


Eventos paralelos

Exibição de 1395 Days without Red
De terça a sábado, às 12h30
O filme será exibido de 13 de dezembro de 2017 a 25 de março de 2018, tempo em que a exposição fica em cartaz.


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Loja do IMS

 
Anri Sala: o momento presente

O catálogo da exposição do artista albanês apresenta textos inéditos de Heloisa Espada, Moacir dos Anjos e Natalie Bell, além da tradução de um artigo de Jacques Rancière.

Sobre os acervos