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Escrever com a imagem e ver com a palavra

Fotografia e literatura na obra de Maureen Bisilliat

A lanterna de Maurina e as visagens de Quaderna

Maureen Bisilliat (fotografias) e Ariano Suassuna (texto, ainda inédito)

É que, em Juazeiro do Padre Cícero, no Ceará, tinha se agregado a eles uma mulher, Maurina, uma equilibrista e malabarista-de-circo que se dizia inglesa e que era proprietária de uma lanterna mágica, com a qual projetava na parede ou num pano estirado a modo de tela, os instantâneos através dos quais, como todos nós, procurava, ao mesmo tempo, anotar e decifrar as pessoas, as cenas, os acontecimentos e os enigmas do mundo…

Ariano Suassuna

Poucos sabem que, para Maureen, antes de Euclides da Cunha veio Ariano Suassuna. Tanto na exposição-projeção do Masp como em Sertões: luz & trevas, sua ideia inicial era associar essas imagens ao escritor paraibano, mais especificamente a trechos de seu romance A pedra do reino.

Foi por isso que, na segunda metade da década de 1970, foi até a casa de Suassuna levando consigo alguns cromos de suas fotografias do Nordeste. Ao vê-las, o autor ficou muito impressionado, e atestou: o que estava vendo era, sem sombra de dúvida, o “Brasil real”. Maureen fora até lá pedir que ele escrevesse um prefácio ao livro que ela estava preparando. Suassuna concordou, mas tempos depois lhe telefonou e disse: “Endoideci. Sua introdução virou livro que ainda não acabou, mas já intitulei: A lanterna de Maurina e as visagens de Quaderna”, Maureen recorda. “Ele falou bem assim: ‘Ou usa tudo, ou nada’.” Seria inviável esperar que ele concluísse o dito volume, por conta dos prazos de publicação estipulados pelo patrocinador, e também não era possível incluir algo daquela magnitude – eram mais de 200 laudas.

No romance, ainda inédito (mas talvez não por muito tempo), Suassuna transforma a fotógrafa em personagem de uma “tribo-de-circo”, a Companhia Olinelson, alguém que carregava consigo uma lanterna mágica e com ela projetava os instantâneos que fazia do mundo.

Depois, mesmo sem o prefácio, Maureen dedicaria Sertões: luz & trevas a Suassuna, que, segundo ela, era a terceira ponta de um “triângulo literário, místico, telúrico, mítico e sertanejo” – as outras duas eram Euclides da Cunha e Guimarães Rosa.

Outros livros que fazem parte da exposição
A João Guimarães Rosa
A visita
Sertões: luz & trevas
O cão sem plumas
Chorinho doce
Bahia amada/Amado
O turista aprendiz
Pele preta


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