Blog do Cinema
O espírito que anda
A última floresta, de Luiz Bolognesi, é um filme magnífico. Filmado na aldeia Watoriki, em Roraima, entrelaça o registro documental do cotidiano e a narrativa mítica sobre a origem do povo Ianomâmi. A conexão é conduzida pelos próprios indígenas, para quem os mitos têm a densidade das coisas palpáveis.
Mergulho na demência
Filmes sobre personagens idosos sofrendo de decrepitude mental não são nada raros. Mas Meu pai, que concorre a meia dúzia de Oscars, não é bem isso. Mais do que um filme sobre a demência, é uma tentativa de imersão na demência, na fronteira incerta entre o fora e o dentro. Por isso é tão perturbador.
Antes de mergulhar
Quatro professores de um colégio dinamarquês testam a hipótese de que os humanos têm um déficit de 0,05% de álcool no sangue e precisam suprir essa falta para atingir seu potencial pleno em Druk – Mais uma rodada, de Thomas Vinterberg, que concorre aos Oscars de filme estrangeiro e direção.
Instituições funcionando
Enquanto se discute a judicialização da política e a politização da justiça, não há filme mais oportuno que Seção especial de justiça, de Costa-Gavras. Realizado em 1975 e premiado em Cannes, levou seis anos para ser liberado no Brasil pela censura da ditadura militar. O que tinha de tão incômodo para os fardados no poder?
Um faroeste iluminista
Relatos do mundo, de Paul Greengrass, é um desses faroestes reflexivos que aparecem para iluminar retrospectivamente o gênero, o mais tradicional do cinema dos EUA – um país nascido na base do tiro e da porrada, deixando uma porção de traumas e cicatrizes, algumas ainda muito vivas.
Carrière, o conversador
Morto nesta semana, o francês Jean-Claude Carrière, com seus múltiplos talentos de escritor, dramaturgo, ensaísta, ator e diretor, foi sobretudo um grande narrador, que ajudou a dar forma a criações de cineastas de primeira grandeza. Sua produção ilumina o cinema e suas relações com a literatura e outros campos.
