Blog do Cinema
Inferno Brasil
Talvez não por acaso, o cinema brasileiro de horror vive um florescimento. A décima edição do festival Cinefantasy, que começa em 6/9, comprova. Dos cinco longas nacionais programados, três são explicitamente de terror, de três estados diferentes: ES, MG e MA (Terminal Praia Grande, no destaque).
Maratona Italiana
A boa notícia é que o cinema italiano está vivo – ou ao menos estava, antes da pandemia. A nova edição da 8 ½ Festa do Cinema Italiano, a partir de 28 de agosto, traz um panorama expressivo da produção dos últimos três anos na terra de Fellini. São vinte longas-metragens acessíveis gratuitamente on line, nove deles totalmente inéditos nas salas brasileiras. Se não tem o brilho da fase áurea (entre 1945 e 1980), a cinematografia italiana recente apresenta, no mínimo, vigor e variedade.
O racismo de cada dia
Como um homem branco de classe média, consciente de sua condição privilegiada, pode contribuir para compreender e enfrentar a questão? Esse dilema foi certamente o que motivou Toni Venturi a realizar o documentário Dentro da minha pele. O resultado é um painel pungente e perturbador, que coloca em xeque-mate a noção de democracia racial e a ideologia do branqueamento.
Cinema do absurdo
Se existe um cinema do absurdo (assim como se fala de um “teatro do absurdo”), Deerskin: estilo matador certamente faz parte do gênero. Basta dizer que, nele, um homem conversa com sua jaqueta de couro de corça e esta lhe ordena que elimine todas as outras jaquetas da face da terra. O filme de Quentin Dupieux, exibido no festival de Cannes do ano passado, chega nesta sexta-feira (14 de agosto) a várias plataformas de streaming: Now, Vivo Play, Apple TV, YouTube Filmes e Google Play.
A engrenagem do ódio
Não pode haver filme mais atual – especialmente para nós, brasileiros – do que o polonês The hater – Rede de ódio, de Jan Komasa, que acaba de chegar à Netflix. O filme é deste ano, e chegou depressa ao streaming porque a pandemia de covid forçou o fechamento dos cinemas no mundo todo logo depois que ele entrou em cartaz na Polônia, em março.
Onde mora o diabo
Plataformas de streaming e drive-ins continuam sendo a principal janela de exibição para filmes brasileiros que chegam. Macabro, segundo longa de ficção de Marcos Prado, o diretor dos bons documentários Estamira e Curumim, é um dos mais interessantes em cartaz (até sábado, 1/8). O ponto de partida do filme é um caso real que estarreceu o país nos anos 1990: uma série de assassinatos seguidos de violação sexual dos cadáveres, supostamente cometidos por dois jovens irmãos, na região serrana do Rio de Janeiro.
Nostalgia da greve
Os novos filmes brasileiros que estavam previstos para lançamento este ano começam a chegar ao streaming, na falta de salas de cinema em funcionamento. Entre eles há um que é particularmente oportuno: o documentário Não toque em meu companheiro, de Maria Augusta Ramos, disponível nas plataformas NetNow, Oi Play, Vivo Play, FilmeFilme e Looke.
Prisioneiro da história
“A história é um pesadelo do qual estou tentando acordar.” A célebre frase de Stephen Dedalus no Ulisses, de James Joyce, poderia ter sido dita por Pu Yi (1906-67), cuja saga quase inverossímil é narrada por Bernardo Bertolucci (à direita do ator John Lone) em O último imperador (1987). Com suas quase três horas de duração, o filme, ganhador de nove Oscars, está disponível no Belas Artes à la carte, numa cópia impecável.
