Blog do Cinema
Apocalipse sem fim
A cada duas décadas, Apocalypse now retorna para nos assombrar. Vencedor do festival de Cannes em 1979, o filme de Francis Coppola ressurgiu em 2001 com o título Apocalypse now redux, acrescido de cenas que tinham sido deixadas de fora, e ganhou ano passado sua terceira versão: Apocalypse now – Final cut chega agora ao streaming no Belas Artes à la carte com três horas de duração, 40 minutos a mais que o filme original.
Meninos da Mangueira
“Habitada por gente simples e tão pobre/ que só tem o sol que a todos cobre,/ como podes, Mangueira, cantar?”, pergunta Cartola nos versos iniciais de Sala de recepção. Esse paradoxo fecundo está no centro também do documentário inédito Mangueira em dois tempos, de Ana Maria Magalhães, programado para os dias 28 e 29/6 (domingo e segunda) no festival de pré-estreias do Itaú Play.
O cinema contra-ataca
Duas boas novas: o lançamento do canal de streaming Itaú Play e a abertura do Belas Artes Drive-in no Memorial da América Latina, em São Paulo. O primeiro oferece um festival de pré-estreias em que se destacam os melhores filmes brasileiros da safra recente, como Guerra do algodão (foto). O segundo reprisa títulos de grande impacto, entremeados com alguns inéditos, em sua maioria estrangeiros.
Bergman e sua ilha
Uma novidade animadora em tempos de quarentena: o lançamento do canal de streaming gratuito do Sesc, que vai tornar disponíveis quatro novos filmes clássicos e recentes por semana, a começar por A hora do lobo (foto), de Ingmar Bergman, Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, Coração de cachorro, de Laurie Anderson, e Jonas e o circo sem lona, de Paula Gomes.
O ator autor
Michel Piccoli, que morreu na última semana aos 94 anos, não foi apenas um grande ator. Durante seis décadas ele corporificou como ninguém o cinema autoral europeu, em quantidade e em qualidade. Atuou em mais de duzentos filmes, dezenas deles com os maiores diretores de seu tempo: Buñuel, Godard, Hitchcock, Resnais, Manoel de Oliveira, Chabrol, Ferreri, Malle, Scola, Moretti, Raoul Ruiz, Bellocchio, Rivette, Varda. A lista não acaba.
Escritores na tela
No intervalo de menos de um mês o Brasil perdeu dois de seus maiores escritores, Rubem Fonseca e Sérgio Sant’anna. E o que isso tem a ver com este blog? Muita coisa, uma vez que ambos mantinham uma intensa e fecunda relação de mão dupla com o cinema. É o caso Bufo & Spallanzani de Flávio Tambellini, com Matheus Nachtergaele e Tony Ramos, baseado em livro homônimo de R. Fonseca.
Ao ar livre
Reportagens recentes de jornais como The Guardian e The New York Times dão conta de um renascimento pós-pandemia dos cinemas drive-in não só nos Estados Unidos, mas também na Europa. O sucesso da atividade no passado inspirou o próprio cinema, como nesta cena de tensão erótico dramática a três de Lolita, de Stanley Kubrick.
