Blog do Cinema
Contingência petrificada em fatalidade
Rodrigo de Abreu Pinto apresenta o filme da Sessão Cinética de agosto: Aopção ou As rosas da estrada(1981) retrata a migração de mulheres da zona rural para a cidade grande, percurso no qual se aventuram e se prostituem. Ozualdo Candeias produziu um discurso que exprimiu a realidade do país na medida da sua incoerência.
Maravilha em excesso
O mistério do gato chinês, de Chen Kaige, é uma fantasia de ambientação histórica baseada em um best-seller do escritor japonês de literatura fantástica Baku Yumemakura. Mistura de fábula, épico, terror, melodrama, filme de detetive e comédia. Durante a dinastia Tang, um gato preto com o dom da fala e poderes demoníacos conturba a vida na corte imperial e provoca uma guerra civil.
Formas do obsceno
Alemão de ascendência turca, o diretor Fatih Akin contribuiu nas últimas décadas para a revitalização do cinema europeu operada por imigrantes de primeira ou segunda geração. Seu novo filme, O bar Luva Dourada, deve ser um dos mais desagradáveis da história do cinema: o protagonista, Fritz Honka (o jovem ator Jonas Dassler, irreconhecivelmente deformado pela maquiagem), é um estuprador e assassino de mulheres na Hamburgo do início dos anos 1970.
Um Graciliano leva a outro
A primeira ideia de adaptar Memórias do cárcere para o cinema nasceu com Vidas secas, conta Nelson Pereira dos Santos (foto) em texto de maio de 1984, ocasião do lançamento do segundo filme do cineasta sobre a obra do escritor Graciliano Ramos. Memórias do Cárcere tem exibições programadas até o final de julho na sala de cinema do IMS Rio.
O ouro do tempo
Em meio aos filmes de férias, entra em cartaz discretamente um esplêndido documentário, Estou me guardando para quando o Carnaval chegar, de Marcelo Gomes. Bem recebido no festival de Berlim deste ano e premiado com menção honrosa no É Tudo Verdade, o filme é um mergulho num lugar incomum, a cidade de Toritama, de 40 mil habitantes, no agreste pernambucano, a “capital do jeans”.
O milagre do cinema
Não são poucos os críticos (entre eles me incluo) que consideram A palavra (1955), do dinamarquês Carl Theodor Dreyer, um dos filmes mais belos de todo o cinema. Premiado com o Leão de Ouro do festival de Veneza, essa obra-prima poderá ser vista ou revista em cópia restaurada nos cinemas do IMS em julho.
