Blog do Cinema
Salve o cinema
Vencedor do festival É Tudo Verdade, Cine Marrocos poderia ser apenas um documentário sobre um antigo cinema em São Paulo, enfatizando sua ocupação por trabalhadores sem-teto e a posterior reintegração de posse. É algo bem maior: um filme sobre o poder mágico e transformador do cinema em confronto com a realidade bruta.
O poder da carteirada
Judas e o messias negro, de Shaka King, é um drama histórico-policial cujo alcance vai muito além do episódio real específico que aborda: a atuação de um espião infiltrado pelo FBI nas fileiras dos Panteras Negras e sua contribuição para o assassinato do jovem líder Fred Hampton.
Mãe só tem uma (ou duas)
A japonesa Naomi Kawase, cujo Mães de verdade está entrando em cartaz no circuito exibidor brasileiro, é representante por excelência do que há alguns anos se convencionou chamar de “cinema dos afetos”. Seu elemento são as relações humanas miúdas, imediatas, em especial as existentes no seio da família.
América redescoberta
Muito se falou sobre significados extracinematográficos da consagração de Nomadland no Oscar, e o filme em si acabou obscurecido. A saga da cinquentona Fern une um olhar sobre os EUA de hoje e uma revisão crítica da mitologia do desbravamento, além de uma reflexão sobre a passagem do tempo.
O espírito que anda
A última floresta, de Luiz Bolognesi, é um filme magnífico. Filmado na aldeia Watoriki, em Roraima, entrelaça o registro documental do cotidiano e a narrativa mítica sobre a origem do povo Ianomâmi. A conexão é conduzida pelos próprios indígenas, para quem os mitos têm a densidade das coisas palpáveis.
Mergulho na demência
Filmes sobre personagens idosos sofrendo de decrepitude mental não são nada raros. Mas Meu pai, que concorre a meia dúzia de Oscars, não é bem isso. Mais do que um filme sobre a demência, é uma tentativa de imersão na demência, na fronteira incerta entre o fora e o dentro. Por isso é tão perturbador.
