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Contraste

Poesia fora do papel

Numa crônica de 1954, Paulo Mendes Campos diz amar cada vez mais os poemas que acontecem na vida, fora do papel, e cita o desencontro entre Mário Quintana e Manuel Bandeira. Conta que o poeta gaúcho, no ano em que viveu no Rio, nunca teve coragem de falar pessoalmente com o Poeta de Pasárgada. No arquivo de Quintana no IMS, porém, há um mapa (imagem) para a casa de Bandeira, indicando que a visita foi desejada, conclui Elvia Bezerra. Se ela ocorreu, são outros versos.


Era de ouro da crônica

Em setembro de 2018 um dos gêneros favoritos dos leitores ganhou casa própria. Elvia Bezerra e Humberto Werneck apresentam o Portal da Crônica Brasileira, que reúne inicialmente a produção de Rubem Braga, Rachel de Queiroz, Paulo Mendes Campos, Clarice Lispector, Otto Lara Resende e Antônio Maria.


Caderno de prece: Clarice Lispector

Uma fervorosa oração de Clarice Lispector a Santo Antônio, encontrada nos manuscritos de Um sopro de vida, sob a guarda do IMS, mostra que ela amou PMC anos depois de acabado o romance. (Elvia Bezerra)


Caderno de lirismo: Paulo Mendes Campos

Num caderno com capa de couro marrom, o jornalista, cronista e poeta anotou as impressões da viagem que fez, em 1956, à União Soviética, China e Polônia, registrando uma realidade nova e um cotidiano impregnado de lirismo. (Elvia Bezerra)


Diário da Tarde

o IMS lançou uma edição especial do jornal imaginário criado por Paulo Mendes Campos na década de 1980, a partir de seus cadernos de notas e de textos de sua autoria previamente publicados na imprensa.


Carta a Otto ou um Coração em agosto

edição fac-similar da carta escrita por Paulo Mendes Campos em agosto de 1945 – poucos dias depois de se mudar para o Rio de Janeiro – para o amigo Otto Lara Resende, que ainda vivia em Belo Horizonte.


Paulo Mendes Campos

Cronista que alargou as fronteiras do gênero, alternando textos longos, de caráter ensaístico, com textos curtos, costumava dizer que a literatura lhe tinha vindo “no sangue”. Foi ainda poeta e tradutor, e soube disfarçar erudição, que era muita, em prosa leve.


Otto Lara Resende

Jornalista de brilho singular e autor de um único e primoroso romance, O braço direito, foi considerado contista sombrio, em contraste com a personalidade solar que exibia quando em grupo e que, creem alguns, teria ofuscado sua obra, na qual o apuro da linguagem é constante.


Pelas beiradas dos acervos

O que mais importa no acervo de um artista é, decerto, a sua obra. Mas não há patrimônio cultural que escape de certas miudezas de caráter pessoal – como o nariz de porco do David Zingg – que aguçam a curiosidade de pesquisadores e humanizam as joias da coroa de qualquer coleção.


“Tirando o chapéu, o homem está nu”

“Tirem a roupa toda, se quiserem, mas não tirem o chapéu”, escreveu Paulo Mendes Campos, e como se vê nesta antologia de coberturas de cabeça seu amigo Otto Lara Resende parece ter seguido a orientação à risca. (Elvia Bezerra)