Blog do Cinema
Um artista popular
No mesmo dia (19 de fevereiro), duas notícias tristes: a morte de José Mojica Marins, aos 83 anos, e o fechamento de uma das salas de cinema mais tradicionais de São Paulo, o Cinearte. Talvez haja uma “injustiça poética” conectando essas duas perdas. Mojica foi um dos grandes nomes de um cinema brasileiro verdadeiramente popular – justamente o cinema que agonizou e morreu junto com as salas exibidoras de rua das metrópoles e das cidades do interior. As duas mortes se entrelaçam simbolicamente.
A estética do vazio
Passada a ressaca do Oscar, chegam aos cinemas filmes interessantes que ficaram de fora da festa. É o caso do sérvio Cicatrizes, de Miroslav Terzic, que era o candidato do país à estatueta de filme internacional, mas não ficou entre os finalistas, o que não diminui sua qualidade e sua importância.
O corpo em estado de imagem
Filme mais recente dos artistas visuais Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, Swinguerra é um estudo sobre a cena de swingueira, brega-funk e passinho dos maloka do Recife, movimento cultural que tem se desenvolvido nos últimos anos nas periferias da cidade. (Hermano Callou)
Victor Hugo na quebrada
Se Bacurau expõe um Brasil cindido ao meio, Os miseráveis revela uma França estilhaçada em termos sociais, étnicos, culturais e religiosos. Com duas diferenças básicas: o filme francês não recorre à alegoria e não oferece catarse. Em vez de aplausos em cena aberta e euforia no final, deixa a plateia num silêncio incômodo.
Tiradentes e a liberdade
“A Mostra de Cinema de Tiradentes é uma fábrica de independência”, definiu o crítico argentino Roger Koza, programador dos festivais de Hamburgo e Viena. A 23ª edição do evento (de 24/1 a 1/2) comprova amplamente a afirmação. Entre os 113 filmes nacionais exibidos – longas, médias e curtas –, será difícil encontrar algum que não seja marcado pelo signo da inquietação e da descoberta.
Guerra de imersão
A insensatez de todo conflito bélico ficou evidente na Primeira Guerra, em que milhões de pessoas morreram ou ficaram mutiladas lutando por algumas centenas de metros de terreno. 1917 integra uma tradição de cinema pacifista, que parte do conflito para denunciar o horror de toda guerra.
Seijun Suzuki, o antimestre
De 21 de janeiro a 9 de fevereiro o cinema do IMS Paulista apresenta uma retrospectiva do diretor japonês Seijun Suzuki com 17 filmes (como Portal da carne, no destaque), sempre com entrada gratuita. O crítico Ruy Gardnier apresenta a trajetória do cineasta, marcada por exuberância anárquica, rebeldia moral e inquietação artística.
Longa viagem Itália adentro
Um dos melhores filmes em cartaz não está na “corrida do Oscar”, foi feito há 17 anos e tem seis horas de duração. É A melhor juventude, do italiano Marco Tullio Giordana, mistura de painel histórico-social com a história de dois irmãos que se tornam adultos nos anos 1960.
