Blog do Cinema
Tiradentes e a liberdade
“A Mostra de Cinema de Tiradentes é uma fábrica de independência”, definiu o crítico argentino Roger Koza, programador dos festivais de Hamburgo e Viena. A 23ª edição do evento (de 24/1 a 1/2) comprova amplamente a afirmação. Entre os 113 filmes nacionais exibidos – longas, médias e curtas –, será difícil encontrar algum que não seja marcado pelo signo da inquietação e da descoberta.
Guerra de imersão
A insensatez de todo conflito bélico ficou evidente na Primeira Guerra, em que milhões de pessoas morreram ou ficaram mutiladas lutando por algumas centenas de metros de terreno. 1917 integra uma tradição de cinema pacifista, que parte do conflito para denunciar o horror de toda guerra.
Seijun Suzuki, o antimestre
De 21 de janeiro a 9 de fevereiro o cinema do IMS Paulista apresenta uma retrospectiva do diretor japonês Seijun Suzuki com 17 filmes (como Portal da carne, no destaque), sempre com entrada gratuita. O crítico Ruy Gardnier apresenta a trajetória do cineasta, marcada por exuberância anárquica, rebeldia moral e inquietação artística.
Longa viagem Itália adentro
Um dos melhores filmes em cartaz não está na “corrida do Oscar”, foi feito há 17 anos e tem seis horas de duração. É A melhor juventude, do italiano Marco Tullio Giordana, mistura de painel histórico-social com a história de dois irmãos que se tornam adultos nos anos 1960.
Mack/Makino
Dois fortes expoentes do cinema experimental contemporâneo, a inglesa Jodie Mack (diretora de O Grande Bizarro, no destaque) e o japonês Takashi Makino, estrelam a Sessão Mutual Films de janeiro. Os diretores se apropriam de técnicas e práticas dos primórdios do cinema para trabalhar com a saturação de informação resultante do acúmulo de imagens.
Nu em Paris
Não é todo dia que um filme renova em nós a crença nas infinitas potencialidades criativas do cinema. Salvo engano, é o caso de Synonymes, realizado em Paris pelo israelense Nadav Lapid, ganhador do Urso de Ouro e do prêmio da crítica no festival de Berlim. A estrutura narrativa do filme é oscilante e estilhaçada, dando a impressão de se reinventar a cada nova sequência, de tal maneira que a certa altura o espectador já não sabe ao certo o que é “real” e o que é delírio do protagonista.
