Nelson Pereira em cartaz no IMS Paulista

IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424
São Paulo/SP

Quando

A partir de 6 de novembro de 2018.

Ingressos

Vendas na recepção do IMS Paulista e no site Ingresso.com

Debate, 6/11

Com Emílio Domingos e Heitor Augusto

A partir de novembro, e ao longo de um ano, a filmografia de Nelson Pereira dos Santos será exibida em uma retrospectiva integral no Cinema do IMS. Os dois títulos que inauguram a homenagem, em cópias restauradas em DCP, são também os primeiros de sua carreira: Rio, 40 graus (1955) aborda um dia na vida de cinco vendedores de amendoim, garotos negros, que vivem no morro e trabalham nos pontos turísticos do Rio de Janeiro. Rio, Zona Norte (1957) conta a trágica história do sambista Espírito da Luz, interpretado por Grande Otelo. Apesar de paulistano, nascido e criado no Brás, Nelson fez das favelas cariocas cenário desses filmes.

Ao retratar um Rio de Janeiro de forma pouco edulcorada, Rio, 40 graus teve exibição interditada pela censura; após sua liberação, o filme abriu caminhos para um cinema nacional político, e esta primeira fase de sua obra é hoje considerada um prelúdio do Cinema Novo, como escreveu Walter Salles para o jornal Folha de S. Paulo:

“Com Rio, 40 graus, Rio, Zona NorteVidas secas (1963), é toda uma geografia humana até então excluída do cinema que ganha a tela.

Os primeiros filmes de Nelson irrigaram o mais importante movimento cinematográfico brasileiro, o cinema novo. Não era somente uma ideia de cinema que tomava corpo naquele momento, mas também a projeção de um país desejado – muito mais livre, justo, independente e democrático do que aquele em que vivemos hoje.

A partida de Nelson revela a distância abissal entre o país sonhado e o Brasil real. [...] A sua ausência é uma perda irreparável para o cinema brasileiro. Nelson parte, mas a dimensão da sua obra e a ética que a construiu ficam para sempre presentes. É um legado imenso e generoso, constitutivo do nosso passado e futuro. E, também, daquilo que poderemos ser, enquanto nação.”

No dia 6 de novembro, além da exibição de Rio, 40 Graus e Rio, Zona Norte haverá uma conversa em torno dos filmes e da obra do diretor, com o cineasta Emílio Domingos e o crítico Heitor Augusto.

Leia, na íntegra, o texto de Walter Salles sobre Nelson Pereira dos Santos para a Folha de S. Paulo.


Programação

Não há mais sessões previstas.


Ingressos

Os ingressos para as sessões de cinema do IMS são vendidos nas bilheterias dos centros culturais e no site ingresso.com. 
 
As bilheterias vendem ingressos apenas para as sessões do dia. No site, as vendas são semanais: a cada quinta-feira são liberados ingressos para as sessões que acontecem até a quarta-feira seguinte.

IMS Paulista
R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)
Bilheteria: de terça a domingo, das 10h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça (5º andar).


Evento relacionado

IMS Paulista

Rio, Zona Norte + debate
6 de novembro de 2018, às 19h50
Sessão seguida de debate com Emílio Domingos e Heitor Augusto.

Emílio Domingos, cineasta e cientista social formado pela  UFRJ, atualmente é mestrando em Cultura e Territorialidades pelo PPCULT - UFF. Diretor, pesquisador e roteirista, com o foco em documentários e antropologia visual. Dirigiu 9 curtas e 3 longas-metragens, dentre eles os longas Deixa na Régua (2016), A Batalha do Passinho (2013), e L.A.P.A. (2008). Além da produção documental, também dirigiu os clipes Dali – Marcelo Yuka; Alteração (ÉA!) - BNegão; e Para Onde Irá Essa Noite - Lucas Santtana; e foi pesquisador em filmes como Mistério do Samba (2008) e Pierre Verger (2000) entre outros. No momento realiza o seu quarto longa metragem intitulado Favela É Moda e roteiriza um documentário sobre Gilberto Gil.

Heitor Augusto é crítico de cinema, curador, professor e tradutor. Curador da mostra Cinema Negro: Capítulos de uma História Fragmentada, realizada durante o Festival de Curtas de Belo Horizonte em 2018, e um dos curadores do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro nos anos de 2017 e 2018. Tem textos publicados em revistas de crítica, catálogos de mostras e coletâneas. Ministra oficinas de crítica e cursos livres de história do cinema, com ênfase em períodos, autores e recortes pouco investigados. Mantém o site Urso de Lata (www.ursodelata.com), onde exercita uma escrita que explora as intersecções entre raça, estética e política.


Filmes

NOVEMBRO 2018

Rio, 40 graus (1955)
Rio, Zona Norte (1957)

DEZEMBRO 2018

Boca de ouro (1963)


Sobre o cineasta

Consagrado diretor de cinema, considerado um dos mais importantes cineastas do país, Nelson Pereira dos Santos foi um dos precursores do cinema novo. Aos 27 anos, em 1955, lançou seu primeiro longa-metragem, Rio, 40 graus. Ao longo da sua carreira, fez mais de 20 filmes, entre eles Rio, Zona Norte, Amuleto de Ogum, Como era gostoso o meu francês, A música segundo Tom Jobim e Memórias do cárcere, que recebeu o prêmio da Fipresci no Festival de Cannes de 1984. Seu filme Vidas secas é um dos títulos brasileiros mais premiados de todos os tempos. Nelson, ao longo de sua extensa carreira de 70 anos de cinema, exerceu a profissão passando por vários momentos políticos do país, enfrentando a diversidade socioeconômica da profissão, sempre abordando temas diversos em sua cinematografia, da política e da realidade brasileira à religião, das adaptações literárias a ensaio de ficção científica, passando pela linguagem do documentário, entre outros elementos presentes na riqueza de sua obra. O cineasta também fundou as escolas de Cinema da UFF e da UnB, recebeu o título de professor honoris causa da Universidade de Nanterre, Paris, França e foi eleito imortal pela Academia Brasileira de Letras em 2006.


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